Renan Santos (Missão) defendeu o desenvolvimento de uma bomba atômica brasileira e repetiu que não cumprirá decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerar ilegal, na sabatina do Jornal Nacional desta quarta-feira (26). Ele foi o terceiro dos seis presidenciáveis entrevistados por Renata Vasconcellos e César Tralli.

Questionado se mantém a proposta mesmo diante da instabilidade internacional, o candidato do Missão foi direto.

O Brasil precisa da arma nuclear para a dissuasão, caso contrário será um eterno adolescente na geopolítica.

Segundo ele, o Brasil é a única entre as grandes potências sem tecnologia nuclear militar. Citou Estados Unidos, Rússia, China e Índia como países que já têm a tecnologia.

"Decisão ilegal não se cumpre. Ponto", repetiu Renan Santos, lema que usa desde uma entrevista à GloboNews em 5 de agosto. Para ele, o Executivo pode deixar de aplicar decisão do STF que considerar uma invasão das prerrogativas de outro Poder.

Não é a primeira vez que ele diz isso. É a mesma linha de três semanas atrás, repetida agora na vitrine mais assistida da corrida eleitoral.

O candidato também cobrou uma nova reforma da Previdência. Em evento do Santander Brasil, em 17 de agosto, defendeu que os benefícios do salário mínimo sejam corrigidos só pela inflação, sem o adicional do crescimento do PIB.

Segundo ele, a mudança não reduz o valor pago aos aposentados, mas tira a pressão automática sobre as contas públicas.

Na mesma linha, defende incluir os militares numa nova reforma. Hoje eles seguem regras próprias de aposentadoria, fora do que foi decidido em 2019.

Na sabatina do SBT News, também em 17 de agosto, classificou parte da alta patente como "militar vagabundo que não faz nada". Reafirmou ainda o lema "prendeu, matou", que resume em prisão ou morte do suspeito em caso de resistência à abordagem.

Como foram as sabatinas anteriores

A sabatina do JN reúne, ao longo da semana, os seis mais bem posicionados na pesquisa Quaest de 14 de agosto. Na 1ª sabatina, na segunda (24), Romeu Zema (Novo) errou um dado sobre feminicídio em Minas Gerais e citou o presidente salvadorenho Nayib Bukele.

Na terça (25), coube a vez do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que confirmou a intenção de anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelo 8 de janeiro. Como precedente, citou o indulto que Juscelino Kubitschek deu aos militares da Revolta de Jacareacanga, em 1956.

O clima entre os candidatos já estava tenso antes da sabatina. Nesta semana, Lula (PT) acionou o TSE contra Renan Santos e Caiado por ataques no debate da Band, domingo (23). Renan aparece hoje em terceiro nas pesquisas, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

O que acontece agora

Lula é o próximo da série, com sabatina marcada para a noite desta quinta-feira (27), seguida por Flávio Bolsonaro (PL) na sexta (28) e Augusto Cury (Avante) no sábado (29). Veja o calendário completo da série.