O dólar fechou nesta quinta-feira (1º) em alta de 0,88%, a R$ 5,2204, com máxima de R$ 5,2374 no dia, a três dias do 1º turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (4). Analistas apontam fatores eleitorais e internacionais por trás do movimento.

Segundo o analista André Galhardo, da Análise Econômica, o movimento tem componente eleitoral, somado a commodities agrícolas e ao petróleo. Parte do mercado avalia que uma vitória da oposição reduziria prêmios de risco, o que pressiona o dólar enquanto o resultado segue incerto.

Já Gustavo Trotta, da Valor Investimentos, atribui o grosso do movimento a fatores externos. O dólar se valoriza globalmente, não só no Brasil.

A incerteza eleitoral tem lastro nos números. Na mesma semana, a Vox Brasil (2.100 entrevistados, registro TSE BR-00148/2026) mostrou Flávio Bolsonaro à frente de Lula no 2º turno.

A Datafolha (2.506 entrevistados, contratada por Folha e Globo, TSE BR-08039/2026), um dia antes, mostrava o oposto. É esse tipo de sinal dividido entre institutos que deixa o mercado sem direção clara a dias da votação.

O real ainda é dos melhores emergentes do ano

Apesar da alta pontual, o real segue entre as moedas emergentes que mais se valorizaram em 2026, atrás apenas do won sul-coreano e do peso colombiano. O desempenho anual contrasta com a volatilidade do dia a dia da reta final eleitoral.

O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de moedas fortes, subiu 0,58%, a 102,04 pontos. Peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano recuaram entre 1,20% e 1,70% no mesmo pregão.

O petróleo Brent também fechou em alta: o contrato para dezembro subiu 4,37%, a US$ 102,31 o barril, pressionado por tensões no Oriente Médio. É um dos fatores que Galhardo cita para explicar o apetite por dólar.

O que acontece agora

O mercado deve seguir de olho no resultado do 1º turno, neste domingo (4), e no desenrolar das tensões no Oriente Médio que pressionam o petróleo.

O ponto em aberto

Duas pesquisas da mesma semana deram vencedores diferentes no 2º turno, e o câmbio reagiu antes de qualquer urna abrir. Falta saber se o resultado de domingo vai acalmar o dólar ou se a divisão nas pesquisas é o novo normal até o 2º turno.