O presidente americano Donald Trump disse nesta quinta-feira (1º) que acompanha a eleição brasileira "muito de perto" e evitou declarar apoio a qualquer candidato, três dias antes do primeiro turno deste domingo (4). Para o professor Andre Pagliarini, da Louisiana State University, a cautela surpreende.

Pagliarini, historiador da Guerra Fria, diz à CNN Brasil que o cálculo por trás da postura de Trump não é ideológico, mas pessoal. Para ele, o candidato de oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seria visto como aliado leal ao republicano.

Pelo menos a percepção de que o candidato da oposição, o Flávio Bolsonaro, não seria simplesmente um presidente brasileiro, seria uma pessoa leal ao Trump pessoalmente, dado essa tentativa de ajudá-lo.

O paralelo que o historiador traça com a Guerra Fria

O paralelo de Pagliarini, em entrevista ao programa WW da CNN Brasil, é com 1964. Segundo ele, os Estados Unidos financiaram em sigilo grupos que ajudaram a desestabilizar o governo de João Goulart no Brasil.

Para o professor, o padrão de interferência americana na região muda de forma, mas não desaparece. Ele cita o caso do ex-diretor do FBI James Comey, que teria recebido de Trump uma cobrança por lealdade pessoal à frente da polícia federal americana.

"Como historiador, eu fico olhando o que está acontecendo agora e pensando no que nós vamos descobrir no futuro", disse Pagliarini.

O que o governo brasileiro está fazendo

O governo Lula monta um plano para reduzir a exposição do país a eventual interferência, segundo reportagem do New York Times. O presidente disse que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, poderia observar o pleito, desde que respeitasse a soberania nacional.

O Planalto, porém, barrou representantes dos EUA que buscavam agenda política ligada à disputa, diferenciando isso de uma missão oficial de observação eleitoral. O tema já havia levado Lula a discursar sobre soberania na ONU.

A fala de Trump desta quinta (1º) já havia sido registrada pela TV Sim Brasil, depois de 31 congressistas democratas pedirem neutralidade ao republicano. Dias antes, o Departamento de Estado já havia negado qualquer intenção de interferir no pleito, após acusações do próprio Lula.

O que acontece agora

Flávio Bolsonaro já havia dito que comentou pesquisas eleitorais com Trump, mas que não pediu apoio oficial dos Estados Unidos à candidatura. O primeiro turno acontece neste domingo (4).

A diplomacia brasileira segue monitorando qualquer novo gesto de Washington.