A diretora Adriana Rattes fundou o Grupo Estação em 1985, numa sala improvisada nos fundos de uma galeria na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo. Hoje o grupo tem 4 complexos e 15 salas no Rio de Janeiro, com 2.058 poltronas.

"Não tinha nada de atraente ali", lembra Adriana Rattes sobre o espaço onde ela e uma turma de cinéfilos abriram a primeira sala, 41 anos atrás.

"Era uma galeria muito decadente, num bairro que naquele momento era apenas um corredor de passagem ao lado do canteiro de obras do metrô", completa.

Como começou a trajetória no cinema

Rattes se envolveu com cinema ainda na adolescência, no início dos anos 1980, quando organizou um cineclube no Centro de Cultura de Petrópolis, no Rio. Antes de se firmar como exibidora, já havia sido bailarina, roteirista, produtora, continuísta, assistente de direção e atriz.

Ela também é cofundadora da Mostra Rio e do Festival do Rio, onde foi diretora de marketing e coordenou a mostra Première Brasil até 2004. Em 2005, foi indicada ao Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo, pelo trabalho à frente da mostra.

Desde 2018, Rattes é diretora executiva do Grupo Estação. A missão declarada é democratizar o acesso ao cinema brasileiro e independente, num mercado dominado pelos grandes lançamentos de estúdio.

Uma distribuidora com 300 títulos

O grupo também tem uma distribuidora própria. A Filmes do Estação foi fundada em 1990 e já levou cerca de 300 títulos aos cinemas brasileiros, entre lançamentos e relançamentos de clássicos do cinema nacional e estrangeiro.

O trabalho da distribuidora se soma à vitrine que o Grupo Estação oferece em seus próprios complexos, concentrados em Botafogo, Gávea e no centro do Rio.

A 28ª edição do Festival do Rio abriu a programação deste ano com um filme sobre a sexualidade censurada de García Lorca, parte da mesma rede de eventos que Rattes ajudou a criar há mais de duas décadas.

O que acontece agora

O Festival do Rio segue em cartaz pela cidade, com 359 títulos exibidos em 28 espaços nesta edição. É nessas salas, muitas delas dentro do circuito que Rattes ajudou a construir desde 1985, que parte da programação chega ao público carioca.