Cerca de 30 universidades francesas aderiram nesta quinta-feira (1º) a bloqueios que já paralisavam escolas secundárias desde a semana passada. A polícia registrou 340 ações e 169 bloqueios pela manhã, num movimento que já soma quase 3 mil detidos em todo o país.
O movimento começou nos liceus da região de Paris e se espalhou para cidades como Lille, Lyon, Marselha, Rouen, Brest, Poitiers, Reims e Dijon. As reivindicações são pela substituição de professores ausentes, mais recursos para a educação e manutenção dos prédios escolares.
Os protestos tiveram episódios de violência, vandalismo e incêndios. Diretores de escola foram atacados, e policiais e manifestantes ficaram feridos nos confrontos.
Por que o governo culpa a extrema esquerda
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma célula de crise interministerial no Ministério do Interior e pediu que outros ministros adiassem viagens oficiais para concentrar recursos na resposta aos protestos.
O governo francês atribuiu a escalada da violência a uma suposta "operação organizada" da extrema esquerda, citando o partido LFI, de Jean-Luc Mélenchon, com base em informações dos serviços de inteligência. Alguns distritos adotaram ensino remoto como medida emergencial.
O momento da mobilização não é acaso. Ela ocorre dois dias antes de o governo apresentar a proposta de orçamento de 2027, que prevê cortes de gastos públicos e inclui o congelamento de salários de professores.
O lema "Bloquons tout" (bloqueemos tudo), usado agora nos protestos, já havia marcado mobilizações anteriores contra medidas de austeridade do governo de Emmanuel Macron.
O ponto em aberto
O governo francês afirma ter indícios de uma operação organizada por trás da escalada de violência, mas essa versão ainda não foi confirmada por fontes independentes. As reivindicações originais do movimento, por mais professores e verba para as escolas, continuam no centro dos protestos.
Resta saber se o anúncio do orçamento de 2027, nos próximos dias, vai esfriar ou intensificar um movimento que já se espalhou de liceus para universidades em menos de duas semanas.






























