O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) avaliam conectar o Pix ao Target Instant Payment Settlement (Tips), sistema de pagamentos instantâneos da zona do euro. O estudo começou em 24 de setembro e pode baratear remessas hoje taxadas em até 10%.
A avaliação técnica, jurídica e operacional ainda não tem prazo de conclusão.
Hoje, quem envia dinheiro do Brasil para países da zona do euro depende de arranjos privados entre bancos e intermediadoras de pagamento. Segundo o Banco Central Europeu, tarifas de remessas transfronteiriças em moedas pouco usadas podem chegar a 10% ou mais do valor transferido.
O que muda para quem envia dinheiro
Com o Pix ligado ao Tips, a transferência levaria segundos em vez de dias, com o valor convertido e disponível na moeda local de quem recebe. A meta do BCE é reduzir a tarifa para menos de 3%.
"Isso significa que um participante da Europa, como um banco ou provedor de pagamentos, envia uma instrução ao Tips. O Tips a transfere para o Pix no Brasil, que a encaminha ao banco ou provedor final", explica Marco Massarenti, consultor de pagamentos do BCE.
"O que queremos é reduzir esse custo para menos de 3%", afirma Massarenti. O valor final, porém, depende de acordos comerciais entre bancos. Os bancos centrais vão construir a infraestrutura pública, mas quem cobra do cliente final continua sendo o banco emissor.
Em nota conjunta, o Banco Central do Brasil afirma que a interligação pode contribuir para pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e de menor custo entre as duas regiões, dados os fluxos econômicos significativos entre Brasil e a área do euro.
A iniciativa integra a agenda evolutiva do Pix, que movimentou R$ 35,36 trilhões em 2025, e segue o roteiro do G20 para pagamentos transfronteiriços mais eficientes.
O Brasil não é o único parceiro que o BCE avalia conectar ao Tips. A autoridade europeia estuda, ao mesmo tempo, o sistema indiano Unified Payments Interface (UPI), o sistema suíço de pagamentos instantâneos e o Nexus Global Payments, que reúne países asiáticos.
Em setembro, o Banco Central também alterou as regras internas do Pix, movimento que a autoridade descreve como parte da mesma agenda de evolução do sistema.
Já existe uso do Pix fora do Brasil, mas hoje por parcerias privadas entre bancos e processadoras de pagamento, sem a infraestrutura pública que o novo estudo pretende criar.
O Pix também bate recordes dentro do país. Em setembro, o sistema registrou volume diário de R$ 186,9 bilhões em meio ao tarifaço dos EUA, segundo o Banco Central.
O que acontece agora
O estudo de viabilidade segue em fase de avaliação técnica, jurídica e operacional, sem prazo definido para conclusão. O desenho de como o dinheiro vai circular entre os dois sistemas, que o BCE chama de "orquestração de ponta a ponta", ainda está em análise.






























