As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 5,1 bilhões em agosto, 34,2% mais que um ano antes, segundo o Banco Central. O resultado veio mesmo com a balança comercial de bens fechando o mês com superávit de US$ 6,6 bilhões.
A explicação está em duas outras contas que pesam mais que a exportação de bens: serviços e renda primária, que juntas ficaram no vermelho em US$ 12,3 bilhões no mês.
Para onde vai o dinheiro que sai
O maior rombo é o de renda primária: US$ 7 bilhões em agosto, ante US$ 5,4 bilhões um ano antes. A conta reúne lucros e dividendos remetidos ao exterior por empresas estrangeiras instaladas no Brasil.
As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$ 5,9 bilhões em agosto, ante US$ 4,2 bilhões em 2025. Já os juros pagos a credores externos caíram 12,8%, para US$ 1,1 bilhão.
O déficit de serviços somou US$ 5,3 bilhões, alta de 28,2%. A conta que mais cresceu foi telecomunicação, computação e informação (que inclui streaming, software e nuvem), com despesa líquida de US$ 1,3 bilhão, salto de 128,2% em um ano.
Os gastos de brasileiros no exterior já vinham batendo recorde antes mesmo deste resultado de agosto, e as despesas líquidas com viagens ficaram estáveis no mês, em US$ 1 bilhão.
Quem está pagando essa conta
O déficit de agosto, de US$ 5,055 bilhões no dado mais preciso do Banco Central, veio acima do que o mercado esperava, de US$ 4,9 bilhões. Mesmo assim, o capital estrangeiro cobriu o rombo com folga.
Os investimentos diretos no país somaram US$ 7,4 bilhões em agosto, o equivalente a 146% do déficit em transações correntes do mês, segundo análise do portal especializado Blocktrends sobre os dados oficiais.
Analistas ouvidos por veículos do setor apontam que déficits correntes maiores pressionam a demanda por dólares e tendem a encarecer serviços importados para o consumidor brasileiro, mesmo com os juros domésticos elevados.
O quadro já vinha se desenhando neste ano. Em maio, o Brasil registrou aumento no déficit em conta corrente ao lado de crescimento nos investimentos diretos, a mesma combinação vista agora em agosto.
Na balança comercial, o país também caminha para o maior superávit em três anos, mesmo com o tarifaço americano.
O ponto em aberto
O investimento estrangeiro direto cobriu o déficit de agosto com folga, mas ele mesmo caiu na comparação com um ano antes, de US$ 7,7 bilhões para US$ 7,4 bilhões.
Se esse fluxo continuar encolhendo, a folga que hoje cobre o rombo das contas externas pode diminuir nos próximos meses.





























