O observatório espacial Neil Gehrels Swift, da Nasa, está perdendo altitude e pode cair na Terra ainda em outubro, depois que uma missão de resgate de US$ 30 milhões falhou em agosto. A reentrada deve ocorrer perto do 22º aniversário do lançamento.

O Swift foi batizado em homenagem a pássaros de voo veloz porque conseguia girar rapidamente para flagrar eventos cósmicos fugazes, como erupções de buracos negros. Foi projetado para estudar explosões de raios gama, mas também observou asteroides e cometas.

O observatório pesa 1.452 kg e está hoje a cerca de 325 km da Terra. Segundo a Nasa, quando cair abaixo de 300 km, no início ou meados de outubro, operar o telescópio ficará difícil, e ele deve se desintegrar na atmosfera.

O mais provável, como acontece com a maioria dos detritos que sobrevivem à reentrada, é que eles caiam no oceano ou em terra desabitada.

A avaliação é da empresa de rastreamento espacial LeoLabs, em nota à CNN. Procurada, a Nasa não respondeu ao pedido de comentário sobre os riscos da reentrada.

A missão de resgate que falhou

A Katalyst Space Technologies, do Arizona, construiu e lançou em apenas nove meses o satélite LINK, que tentaria acoplar no Swift e elevá-lo a uma órbita estável.

O plano fracassou poucas semanas depois do lançamento, no início de julho, quando o LINK perdeu o controle. Duas rodas de reação falharam e problemas numa válvula causaram giros descontrolados.

Os controladores chegaram a recuperar o comando da espaçonave e testar os braços robóticos a poucos quilômetros do Swift, mas o combustível insuficiente forçou a Nasa a cancelar a missão em agosto. O LINK já reentrou na atmosfera.

A Nasa gastou US$ 30 milhões tentando salvar um telescópio de US$ 364 milhões. No fim, perdeu os dois. O Swift continua caindo e o satélite salvador já virou destroço.

Shawn Domagal-Goldman, diretor de Astrofísica da agência, chamou o projeto de "missão de alto risco e alto retorno desde o início".

O que acontece agora

Enquanto o Swift se aproxima do fim, a Nasa já opera sucessores: o telescópio Nancy Grace Roman tem campo de visão 100 vezes maior, e o Hubble, décadas mais velho que o Swift, segue fazendo descobertas.

Não há, até o momento, previsão exata do dia da reentrada do Swift. A Nasa e empresas de rastreamento como a LeoLabs devem atualizar a estimativa à medida que a agência espacial segue divulgando novas descobertas feitas por outros telescópios em operação.