O Senado Federal pode ganhar um perfil mais à direita a partir deste domingo (4/10), dia do primeiro turno das eleições gerais. Levantamento da Gazeta do Povo identificou 106 candidatos ao Senado que defendem abrir impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O tema virou eixo de campanha para parte da oposição. Partidos como o PL aceleraram a montagem de chapas fortes em vários estados em torno dessa bandeira. A aposta é formar uma bancada capaz de viabilizar as ações contra a Corte.

Por que o tema pegou força no Senado?

O tema pegou força porque o atual Senado já represa pedidos contra ministros. Em setembro, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, segurou a tramitação de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes.

A correlação de forças na nova legislatura decide se esses pedidos andam. A disputa pelo Senado ganhou peso incomum nesta eleição, justamente por causa do embate entre Congresso e Supremo.

Especialistas ouvidos pelo jornal Valor apontam alto grau de imprevisibilidade para o resultado final. A campanha curta e as decisões de voto de última hora dificultam projeções fechadas sobre a nova composição da Casa.

O que muda na Câmara

Na Câmara dos Deputados, o movimento é de continuidade. Levantamento do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) mostra que 87,32% dos 513 deputados buscam a reeleição em 2026.

É o maior índice da série histórica, patamar que já havia sido registrado em agosto e que se mantém nesta reta final. Com isso, a renovação da Câmara deve cair para 44%, a menor taxa desde 1998.

Parte da explicação está no volume de recursos à disposição dos parlamentares. Foram empenhados R$ 16,97 bilhões em emendas individuais na Câmara neste ano, quase o dobro dos R$ 9,26 bilhões de 2022, ano da eleição anterior.

O montante integra o recorde de R$ 61 bi em emendas parlamentares já registrado neste ano. No Senado, o movimento de permanência também é forte.

62,96% dos senadores em exercício disputam outro mandato. Outros 45 deputados federais migraram para tentar uma vaga na Casa, como titulares ou suplentes de chapa.

O que acontece agora

O primeiro turno é neste domingo (4/10). Um eventual segundo turno está previsto para 25 de outubro, caso nenhum candidato à Presidência atinja maioria absoluta dos votos válidos.

É nas urnas que o novo desenho do Senado e o índice de renovação da Câmara deixam de ser projeção.