O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos atingiu 5,34% ao ano nesta semana, o nível mais alto desde 2002. A disparada já se reflete no Brasil: o dólar se aproximou de R$ 5,20 nesta quinta-feira (1º/10), máxima intradiária de R$ 5,1969.
O movimento ocorre mesmo com o Banco Central cortando juros no sentido oposto. A Selic está em 13,75% ao ano, após o quinto corte seguido promovido pelo Copom em setembro.
A próxima decisão do Copom é em 4 de novembro.
Por que o Treasury está subindo tanto?
O Treasury sobe porque a economia americana segue forte demais, turbinada por gastos pesados com inteligência artificial. A inflação, por sua vez, segue pressionada pelo custo dos combustíveis.
O petróleo Brent é negociado acima de US$ 100 o barril, o que também empurra os preços para cima. Esse cenário elevou a expectativa de que o Federal Reserve tente conter a inflação com juros mais altos.
O rendimento dos títulos de 30 anos também disparou, para o maior nível em mais de duas décadas. Nos EUA, a taxa de financiamento imobiliário de 30 anos já superou 7% pela primeira vez desde o início de 2025.
O que isso muda para o brasileiro?
Isso muda o custo do dólar e a atratividade dos investimentos no Brasil. Quando o título mais seguro do planeta paga mais de 5% ao ano em dólar, capital global tende a sair de mercados emergentes como o brasileiro.
Segundo Lucas Galdino, especialista de câmbio na B&T XP, o alívio recente no câmbio perdeu força com o avanço do petróleo e dos juros longos americanos.
"O indicador PCE dos EUA, abaixo do esperado ontem, reduziu a pressão por alta do Fed, mas o alívio perdeu força com o avanço do petróleo e dos juros longos americanos hoje", disse o analista.
O Brasil já vinha de um aperto de vantagem da Selic desde que o Fed passou a sinalizar juros mais altos. Em setembro, o rendimento do Tesouro americano já havia batido o maior nível desde 2007.
O efeito também aparece no Tesouro Direto brasileiro, que passou a pagar taxas mais altas para acompanhar o movimento global. Para quem tem dívida em dólar ou depende de importação, o câmbio mais caro pressiona custos diretamente.
O que acontece agora
O mercado brasileiro aguarda a próxima reunião do Copom, em 4 de novembro, para saber se o Banco Central mantém o ritmo de cortes mesmo com o cenário externo mais apertado.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve segue monitorando a inflação puxada pelos combustíveis antes de decidir seus próximos passos.






























