O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos chegou a 5,34%, o nível mais alto desde 2002, pressionado pela inflação alta e pela expectativa de novo aumento de juros pelo Federal Reserve. O movimento já encarece o dólar no Brasil.

Segundo a CNN Brasil, o mercado de títulos do governo americano vive uma "queda implacável": os rendimentos dos papéis de 30 anos também dispararam, para o maior nível em mais de duas décadas.

A lógica é contraintuitiva, porque os títulos do Tesouro costumam ser o porto seguro em momentos de crise. Desta vez é o oposto: os investidores estão vendendo os papéis e exigindo taxas maiores nos leilões do governo americano.

Os motivos, segundo a reportagem, são a economia americana forte demais, turbinada por gastos bilionários em inteligência artificial, e a inflação pressionada pelo aumento dos preços de combustível.

Com isso, o Federal Reserve tende a resistir a cortar os juros, e pode voltar a subi-los. A taxa de financiamento imobiliário de 30 anos nos EUA passou de 7% pela primeira vez desde o início de 2025, encarecendo o crédito imobiliário no país.

Há uma carnificina no mercado de títulos.

A frase é do estrategista de mercado Neil Wilson, citado pela CNN Brasil. Para ele, os rendimentos altos ainda não atraíram compradores suficientes para conter a queda dos preços dos títulos, o que empurra os juros a patamares inéditos em décadas.

Como isso chega ao bolso no Brasil

No Brasil, o efeito chega pela porta do câmbio e da Bolsa. O Ibovespa perdeu os 184 mil pontos em pregões recentes, pressionado pelo avanço dos Treasuries somado a receios com o cenário fiscal doméstico, segundo a Forbes.

Quando o título mais seguro do planeta paga mais, o capital estrangeiro sai de mercados emergentes como o Brasil em busca da renda fixa americana, e isso encarece o dólar por aqui.

O movimento se soma à disparada do dólar a R$ 5,22 a três dias da eleição registrada nesta semana.

É o mesmo roteiro visto em setembro, quando o dólar fechou a R$ 5,14 e o Ibovespa caiu após decisões opostas do Fed e do Copom, com o Fed sinalizando juros mais altos e o Copom cortando a Selic.

O que acontece agora

O mercado americano aguarda os próximos leilões de títulos do Tesouro e qualquer sinalização nova do Federal Reserve, hoje presidido por Kevin Warsh, que assumiu o cargo em maio após a saída de Jerome Powell.

No Brasil, o Banco Central segue de olho no câmbio ao calibrar os próximos passos da Selic, que está no mesmo patamar de quando Lula tomou posse.