Em 2026, ano de eleição geral, 87% das emendas destinadas à Saúde foram pagas no primeiro semestre, antes do início das campanhas, segundo levantamento do Boletim Radar+SUS. No ano passado, sem eleição, apenas 14% haviam sido pagas no mesmo período.

O estudo, do IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), usou dados de transparência da União para comparar a velocidade dos pagamentos com o orçamento de cada ano. A aceleração nos anos eleitorais se repete desde 2014 e ganha força a cada pleito.

Em média, nos anos de eleição, 70% dos pagamentos ocorrem no primeiro semestre; nos anos sem disputa, o total não passa de 36%. A comparação vale para todos os anos desde 2014.

% das emendas da Saúde pagas no 1º semestre, por ano — Boletim Radar+SUS (IEPS), conferido em 02/10/2026
AnoTipoPago no 1º semestre
2018Eleitoral76%
2022Eleitoral79%
2025Sem eleição14%
2026Eleitoral87%

A regra existe por causa da legislação eleitoral, que restringe nos três meses antes da votação a transferência voluntária de recursos da União para estados e municípios, com exceções para obras em andamento ou calamidade.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 também obrigou o governo a saldar 65% das emendas até três meses antes da eleição.

O efeito prático é que a própria restrição legal empurra o pagamento para antes da janela proibida, em vez de distribuí-lo ao longo do ano, como mostra o salto de 2026 sobre 2025.

Os números não significam gasto maior em 2026, apenas mais rápido: o Executivo paga antes o que já estava definido como emenda no Orçamento, diz o levantamento. O valor total depende da negociação entre Congresso e governo na montagem da LDO.

Deputados e senadores vêm ampliando sua fatia do Orçamento federal: a execução de emendas prevista para 2027 é de R$ 44,8 bilhões, R$ 4 bilhões a mais do que em 2026. Por lei, a maior parte desses recursos vai para a Saúde.

O estudo também mostrou que, nos anos eleitorais, o Executivo prioriza as indicações dos parlamentares, o mesmo mecanismo que levou o STF a decretar a nulidade de emendas indicadas por chefes de partido.

Em 2026, por exemplo, Lula liberou R$ 89,3 milhões em emenda para um hospital oncológico em Minas Gerais.