Um vídeo de 2022 em que a ministra do TSE Estela Aranha declara voto em Lula (PT) viralizou nesta sexta (2), um dia depois de ela proibir a Globo de exibir o púlpito vazio do presidente no debate. Procurada pela Folha, ela não comentou.

A decisão de Aranha, tomada em 1º de outubro, proibiu a exibição destacada da cadeira reservada a Lula e suspendeu perguntas a ele durante a ausência, segundo a Agência Brasil.

A medida invalidou a regra original do debate sobre candidato ausente, que previa uma placa identificando quem faltasse.

Em sua fundamentação, a ministra escreveu que a regra tinha "intenção aparente de compelir candidatos a comparecer ao debate, renunciando à participação facultativa garantida por lei". Para Aranha, a ausência só deveria custar a Lula a perda daquele bloco, sem outra consequência.

O vídeo que viralizou

O vídeo que circulou após a decisão mostra Aranha declarando voto em Lula no 2º turno de 2022, contra Jair Bolsonaro. A gravação passou a rodar em canais e páginas de direita assim que a decisão sobre o debate saiu.

Voto em Lula no segundo turno. Eu voto 13 porque, como advogados, nós não temos outra opção que não seja o Lula para a gente estancar o aumento do autoritarismo, para a gente defender o Estado democrático de Direito e a democracia no país.

Na mesma gravação, Aranha diz que "os advogados devem votar em Lula, inclusive para salvar o próprio sistema de Justiça". A Folha não conseguiu confirmar a data exata da filmagem.

Aranha foi nomeada ministra do TSE pelo presidente Lula em julho de 2025, para a vaga reservada à classe dos juristas, com mandato de dois anos.

Antes, foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, na gestão de Flávio Dino, e assessora da Presidência da República.

A mesma regra que a decisão de Aranha invalidou havia sido assinada meses antes pelo PT, segundo a coluna de Caio Junqueira, da CNN Brasil.

A ata original do debate, com a cláusula da cadeira vazia, trazia a assinatura de todos os partidos, incluindo o do presidente.

Flávio Bolsonaro (PL) citou a decisão para desistir do debate presidencial que acabou cancelado. "Acabei de tomar a decisão de não ir mais ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE", escreveu em rede social.

Pouco antes, o ministro do STF Gilmar Mendes havia determinado que a emissora incluísse o candidato Renan Santos (Missão), numa decisão sobre a disputa pela vaga no debate.

A Globo informou que recebeu duas notificações que alteravam as regras já acordadas e, por isso, optou por cancelar o programa. Procurada pela Folha para comentar o vídeo de 2022, Aranha não quis se manifestar.

O que acontece agora

Sem debate marcado na Globo, a disputa segue pelos canais que cada campanha já vinha usando. Lula apostou numa live que juntou 1,5 milhão de visualizações no lugar do confronto direto, enquanto Flávio mantém a agenda de rua na reta final.

A opção de Lula por um formato fora do debate tradicional já havia sido criticada por adversários antes mesmo da polêmica desta semana. Não há, até o momento, um novo debate confirmado entre os dois primeiros colocados nas pesquisas antes do segundo turno.