A Polícia Federal, com apoio do Ministério Público Eleitoral, apreendeu mais de R$ 1,85 milhão, além de dólares e euros, na casa da deputada estadual Aldilene Souza (PDT), candidata à reeleição no Amapá, nesta quinta-feira (1º), numa operação por suspeita de compra de votos.

Aldilene é aliada do atual governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil). Ela não se manifestou publicamente sobre a operação até a publicação desta matéria.

O que a investigação apura

A Polícia Federal apura o uso irregular do programa estadual "Renda para Viver Melhor" e de cestas básicas para obter apoio político. Segundo o MPE, a entrada e a permanência de famílias vulneráveis no programa eram condicionadas a promessas de voto.

Beneficiários teriam sido pressionados a apoiar candidaturas sob risco de perder o auxílio, segundo o MPE. Duas servidoras públicas estaduais foram afastadas de seus cargos por causa da investigação.

A Secretaria de Estado da Assistência Social do Amapá (Seas) afirmou que a apuração não tem relação com a gestão institucional nem com os procedimentos do programa Renda para Viver Melhor.

O caso do Amapá não é isolado. A PF também investiga suspeita de compra de votos envolvendo um deputado no Rio de Janeiro, e prendeu pela segunda vez em uma semana o prefeito de Boa Vista por suspeita de crime eleitoral.

O que acontece agora

A legislação eleitoral limita prisões na reta final da campanha, inclusive para quem é alvo de operação como esta. Candidatos não podem ser presos a partir deste sábado (19), com exceção de flagrante ou sentença criminal transitada em julgado.

Com o primeiro turno marcado para domingo (4), qualquer medida mais dura contra Aldilene Souza tende a esperar o fim da votação. Até lá, a apuração do MPE e da PF segue em andamento.