O Google lançou nesta quinta-feira (1º/10) seu primeiro satélite de teste do Projeto Suncatcher, que pretende colocar data centers de inteligência artificial em órbita. O protótipo decolou da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, a bordo de um Falcon 9 da SpaceX.
O satélite foi construído pela Planet Labs e carrega 4 chips TPU, as unidades de processamento tensorial que o Google usa em seus sistemas de IA. A missão deve durar cerca de 1 ano.
Por que colocar data center no espaço?
A ideia é fugir da resistência de comunidades americanas que não querem centros de dados perto de casa, usando energia solar captada em órbita. Mas o satélite de teste já expõe um obstáculo técnico.
Sem ar para dissipar calor, ele opera em ciclos, desligando periodicamente para não superaquecer.
"Este primeiro lançamento tem como objetivo observar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar essas descobertas em missões futuras", disse Travis Beals, diretor sênior de paradigmas de inteligência do Google, em comunicado.
O Google planeja lançar mais dois satélites em 2027. O desenho final do projeto, anunciado em novembro de 2025, prevê uma constelação de 81 satélites voando a menos de 200 metros um do outro, num raio de cerca de 1 km.
O custo ainda não fecha a conta
O custo ainda não fecha porque lançar carga ao espaço custa hoje entre US$ 1.500 e US$ 2.900 por quilo. Pelos cálculos do próprio Google, esse valor precisaria cair para cerca de US$ 200 por quilo para a computação orbital compensar.
Hoje, uma hora de computação em órbita sairia por US$ 8,64, contra US$ 2,37 em terra firme. Captar mais luz solar não reduz automaticamente o custo da computação entregue, uma vez somados o lançamento e os componentes blindados contra radiação.
Também pesa a impossibilidade de mandar um técnico consertar uma peça quebrada em órbita. Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, avalia que pode levar até 20 anos para que data centers orbitais fiquem mais baratos que os terrestres.
A congestão no espaço também preocupa: mais satélites voando em formação apertada aumentam o risco de colisões. O lançamento ocorreu dias depois de a Starship da SpaceX colocar em xeque a concorrência no setor de foguetes.
O debate sobre onde instalar a infraestrutura de IA também mobiliza o Brasil. Data centers viraram consenso raro entre os presidenciáveis na campanha de 2026, e a energia necessária para sustentá-los já é um teste local para o setor elétrico.
O que acontece agora
O satélite segue em operação por cerca de 1 ano, período em que o Google vai medir como os chips TPU resistem à radiação e às variações de temperatura do espaço.
Os próximos dois satélites da missão devem ser lançados em 2027, antes de qualquer decisão sobre a constelação completa.






























