Hackers invadiram sistemas de refrigeração de supermercados na França na noite desta segunda-feira (12), elevando a temperatura de geladeiras a 50°C e provocando incêndios e perda de alimentos em centenas de lojas pelo país, informou a Procuradoria de Paris, que abriu investigação sobre o caso.

A Procuradoria classificou o episódio como um ataque cibernético de "grande escala", que atingiu refrigeradores conectados de diversas redes de supermercados no país, causando "perda de alimentos e incêndios".

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu determinou que a Agência Nacional de Segurança Cibernética da França (ANSSI) investigasse o caso. O governo francês avalia se outros países europeus também correm risco.

Quais redes de supermercados foram afetadas?

O Carrefour informou que 80 de suas lojas foram atingidas, enquanto a Monoprix teve 5% das unidades afetadas. Já a Les Mousquetaires, dona da rede Intermarché, disse que os refrigeradores de cerca de 150 lojas chegaram a 50°C por seis horas.

Segundo a empresa, todos os alimentos armazenados nesses equipamentos foram descartados para evitar riscos sanitários. O presidente-executivo da Cooperativa U, Dominique Schelcher, confirmou que sua rede também foi atingida.

"Atacar equipamentos essenciais para a conservação de produtos frescos e para o abastecimento alimentar do povo francês é de extrema gravidade e não tem precedentes", escreveu Schelcher no X.

E. Leclerc e Auchan não responderam a pedidos de comentário. Não havia estimativa das perdas financeiras do setor até a noite desta segunda. Na Holanda, a rede Albert Heijn, da operadora Ahold Delhaize, teve problema parecido.

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Por que os hackers conseguiram invadir as geladeiras?

Os sistemas de refrigeração de supermercados costumam ser controlados por painéis conectados à internet, que permitem ajuste remoto por empresas de manutenção. Essa conexão também abre brechas de segurança.

Segundo o portal Olhar Digital, uma fonte próxima ao governo francês apontou vulnerabilidade em um software da empresa dinamarquesa Danfoss. A fabricante confirmou estar ciente dos incidentes.

Os sistemas afetados usavam versões desatualizadas do firmware, o software que controla o funcionamento dos equipamentos, segundo a Danfoss, que recomendou a atualização para versões mais recentes.

O que acontece agora

A ANSSI segue investigando a origem do ataque, e a França coordena resposta com outros países europeus que também podem estar vulneráveis.

Ataques a sistemas conectados já afetaram outros setores no Hospital Albert Einstein e na Lupo, no Brasil, nas últimas duas semanas.

Fundador da Microsoft, Bill Gates previu, um dia antes do ataque, uma onda de ciberataques turbinados por inteligência artificial sem controle.