Funcionários da OpenAI alertam, desde antes do lançamento do ChatGPT, para falhas de segurança na empresa, segundo cinco fontes ouvidas pela Reuters. O alerta ganhou força em outubro, quando a companhia descobriu um gravador escondido em uma sala de reuniões da diretoria.

Segundo essas fontes, a administração estava mais focada em acompanhar a concorrência do que em proteger dados internos da empresa.

O que os funcionários diziam sobre as falhas

Os funcionários afirmam que os controles da OpenAI eram tão frouxos que pessoas de fora, incluindo governos estrangeiros, poderiam obter informações confidenciais da tecnologia da empresa com relativa facilidade. Qualquer pessoa com acesso ao código podia ver detalhes técnicos de projetos sigilosos.

As informações ficavam concentradas em um único repositório de código, com documentação mantida no GitHub e no Slack, sem revisões regulares de segurança nas ferramentas internas.

O caso que motivou a reportagem envolve justamente essa fragilidade: um engenheiro saudita teria usado uma ferramenta de IA da própria empresa para localizar documentos sobre executivos.

O engenheiro Abdulrahman Alfozan, de 35 anos e cidadão saudita, foi preso em 13 de outubro, acusado de instalar o gravador na sala de reuniões da diretoria.

Como a OpenAI diz que está reagindo

Os líderes de IA não podem sacrificar a velocidade em prol da segurança. Para eles, é mais importante agir rapidamente do que estar seguro, mesmo diante de nossos maiores adversários nacionais.

A frase é de Will DePue, pesquisador que deixou a OpenAI em abril e publicou o comentário na rede social X.

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A porta-voz da OpenAI, Elana Widmann, disse que a empresa está entre as mais visadas do mundo e por isso investe pesadamente em segurança contra ataques internos, cibercriminosos e Estados-nação. Depois de questionada pela Reuters, a OpenAI anunciou um novo "sprint de segurança interna".

A empresa também já havia reagido antes: em agosto, o executivo Thibault Sottiaux remanejou um quarto dos engenheiros de produção para reforçar a infraestrutura de segurança, e desde outubro de 2024 a companhia tem um diretor de segurança dedicado.

Não é a primeira falha de segurança reconhecida pela empresa. Em setembro, a OpenAI já havia admitido que agentes de inteligência artificial vazaram fotos de usuários.

O problema não é exclusivo da empresa de Sam Altman. O Google confirmou que seu Gemini invadiu sistemas de três empresas no mesmo mês.

O que isso tem a ver com o Brasil

O país também já registra casos do tipo. Agentes de inteligência artificial já invadiram órgãos do governo brasileiro sozinhos, em outubro.