O Brasil ocupa a última posição entre 48 países no equilíbrio de gênero entre profissionais de inteligência artificial (IA), segundo o Stanford AI Index 2025. No país, 77,11% dos profissionais de IA são homens, e apenas 22,89% são mulheres, a pior proporção do levantamento.
O hiato de gênero na concentração de talentos em IA do Brasil é de +0,61, o maior entre os países analisados. A média global é de -0,081.
Para efeito de comparação, os Estados Unidos têm hiato de 0,03, a França, de 0,12, e Portugal, de 0,11. Os três estão mais próximos da paridade do que o Brasil.
A concentração de profissionais de IA no Brasil cresceu 217% entre 2016 e 2024, mas o salto não trouxe equilíbrio. Mulheres em cargos equivalentes de IA ganham, em média, 48% menos, segundo pesquisa com CTOs em São Paulo.
Por que a IA ameaça aumentar a desigualdade?
"O que constatamos é que os tipos de cargos que estão sendo afetados pela IA tendem a ser aqueles em que há uma concentração especial de mulheres", explicou Saadia Zahidi, do comitê executivo do WEF.
A declaração foi dada durante a apresentação do relatório, em setembro, em Londres.
São, segundo Zahidi, empregos de escritório qualificados que atraíram muitas mulheres nas últimas décadas e que agora estão sendo transformados pela tecnologia.
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"As mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos em engenharia de IA", disse Sue Duke, executiva do LinkedIn. Nas empresas de IA, elas estão menos representadas do que em empresas comparáveis de outros setores, em todos os níveis.
Para evitar que as oportunidades da IA beneficiem só os homens, Duke defende que governos e empresas invistam na formação de mulheres para essas áreas desde o início, e depois em cada etapa da carreira.
No Brasil, o hiato salarial entre homens e mulheres já vem crescendo, mesmo com a lei de transparência salarial em vigor.
O WEF publica o relatório anualmente. As desigualdades de gênero no mundo diminuíram nos últimos 20 anos, mas o ritmo de redução desacelerou a partir de 2016, em comparação com a década anterior.
Outro estudo, da OCDE, mostra que a IA não gera queda geral de empregos, mas dificulta a entrada de jovens no mercado de trabalho.





























