O Ministério da Saúde reforçou a vigilância contra o sarampo no Brasil depois de os Estados Unidos registrarem o maior número de casos da doença em mais de 35 anos. O país soma 61 casos confirmados em 2026, todos importados.

Os casos brasileiros estão em São Paulo (41, a maioria na capital), Amazonas (17, concentrados na fronteira com Colômbia e Peru), Acre (2) e Rio de Janeiro (1). O número já era 52 casos no começo de outubro, segundo o governo.

Não há transmissão sustentada local, e o Brasil mantém o certificado de território livre da circulação do vírus, concedido pela OPAS em 2024.

Parte dos casos amazonenses repete um padrão já visto em setembro, quando o estado confirmou casos vindos da fronteira com o Peru.

Qual é a situação nos Estados Unidos

Os EUA somam 4.410 casos e 3 mortes até 15 de outubro, segundo o CDC, o maior número anual desde a década de 1990. Mais de 90% dos infectados não eram vacinados ou não comprovaram vacinação.

O país concentra, com Guatemala, México, Peru e Canadá, mais de 95% dos casos de sarampo das Américas neste ano. Pode perder em novembro, numa revisão da OPAS, o status de território que eliminou a doença.

O alerta internacional não é novidade: em setembro, um surto em Bangladesh que matou quase 900 pessoas já havia reacendido o tema no Brasil.

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Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, atribuiu o quadro americano a discurso oficial contrário à vacina.

"O governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretário de Saúde, que é o equivalente ao nosso ministro, declaradamente antivacina", disse. Segundo ele, os Estados Unidos "estão colhendo frutos" desse posicionamento.

No Brasil, a cobertura vacinal da tríplice viral está em 93,10%, abaixo da meta de 95% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a circulação do vírus. Em São Paulo, a cobertura é de 94,39%; no Amazonas, 89,54%.

É essa lacuna na cobertura vacinal que mantém o risco de reintrodução da doença, mesmo com o Brasil livre da transmissão local.

O ministério já realizou quatro campanhas nacionais de vacinação em 2026, com mais de 3,8 milhões de doses aplicadas em São Paulo e cerca de 192 mil no Amazonas, além de busca ativa e bloqueio vacinal ao redor de cada caso confirmado.

Quem tem direito à vacina gratuita

A tríplice viral é gratuita no SUS para toda a população. Pessoas de até 29 anos sem comprovação vacinal tomam duas doses, e de 30 a 59 anos, pelo menos uma.

Crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias em área de risco recebem a chamada dose zero, que não substitui o esquema normal de vacinação.

Para quem vai viajar a países com surto ativo, como EUA, Canadá e México, a recomendação do ministério é regularizar a caderneta antes de embarcar, mesmo que seja no mesmo dia da viagem.