O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), termômetro de inflação do Federal Reserve, subiu 0,5% em setembro nos Estados Unidos e chegou a 3,6% em 12 meses, informou o Departamento de Comércio dos EUA na quinta-feira (29 de outubro).
O resultado reforça a aposta em alta de juro em dezembro. O PCE núcleo, que exclui os itens voláteis de alimentos e energia, subiu 3,1% em 12 meses, depois de 3,0% em agosto.
Segundo o Bureau of Economic Analysis (BEA), o gasto de consumo em valores correntes avançou US$ 113,1 bilhões no mês, sendo US$ 35,1 bilhões em bens e US$ 78,1 bilhões em serviços. O PCE real, ajustado pela inflação, cresceu menos de 0,1%.
O consumidor americano está pagando mais sem comprar muito mais.
Os números saem dois dias depois de o Fed manter a taxa básica de juros na faixa de 3,75% a 4,00%, na quarta-feira (28 de outubro), por votação de 10 a 2. O colegiado reconheceu que a inflação "continua elevada".
Os preços da energia e de itens relacionados voltaram a subir nas últimas semanas, e nossa função é garantir que as variações relativas de preços em alguns setores não se espalhem por toda a economia e que as expectativas de inflação permaneçam ancoradas.
A frase é do chair do Fed, Kevin Warsh, dita a repórteres depois da decisão de quarta-feira. Os mercados já precificam 84,6% de chance de alta de juro em dezembro, segundo o FedWatch, da bolsa de derivativos CME.
O que muda no bolso do investidor brasileiro
Juro americano mais alto turbina o dólar e encarece o crédito tomado lá fora. Isso reduz o apetite do investidor global por ativos emergentes como o real, pressão que se soma à cautela do mercado com as contas públicas do país.
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Com o dólar cotado perto de R$ 5,34, segundo o Rio Times, a diferença entre o juro brasileiro e o americano é o que sustenta parte do fluxo de capital entre os dois países.
Juro dos EUA mais alto por mais tempo reduz essa diferença na prática e tira parte do estímulo que levava investidor estrangeiro a trocar dólar por real. A Selic, taxa básica brasileira, está em 13,75% ao ano.
O que acontece agora
A próxima decisão do Fed não tem data cravada nas fontes consultadas, mas o mercado já opera com 84,6% de chance de alta de juro em dezembro, cenário que tende a manter o dólar pressionado sobre o real nas próximas semanas.
No Brasil, um dos primeiros termômetros desse cenário externo mais apertado é o dólar negociado perto de R$ 5,36 nos pregões mais recentes.
A saída de recursos da Bolsa é outro sinal de que o mercado local já reage ao juro mais alto nos Estados Unidos.
A manutenção da taxa pelo Fed na quarta-feira já era tratada como sinal de cautela por bancos que operam no país.































