Ivo Rockenbach, 58 anos, passou por cerca de 15 tratamentos para depressão ao longo de mais de uma década, sem conseguir melhora duradoura. Em 2024, o diagnóstico de depressão resistente ao tratamento mudou o rumo: ele começou a usar escetamina intranasal e recuperou a rotina.
A dificuldade vinha desde a infância, quando Ivo tinha problemas para se relacionar e praticamente não fazia amizades. Os pais chegaram a procurar um psicólogo, mas não houve diagnóstico na época.
"Sempre achei que meu problema era apenas timidez. Meus pais chegaram a me levar a psicólogos, mas não houve um diagnóstico e a gente entendeu que era parte da minha personalidade", contou Ivo à Metrópoles.
O isolamento continuou na vida adulta. Entre 2009 e 2010, a morte da mãe intensificou a tristeza e o levou a buscar ajuda pela primeira vez.
"Percebi que a tristeza e o desânimo ganharam uma proporção maior, e que eu não conseguia mais lidar com estes sentimentos sozinho", disse.
O que mudou o quadro em 2024?
A médica Yasmin de Andrade identificou a depressão resistente ao tratamento e prescreveu escetamina intranasal, substância que atua sobre o sistema do glutamato e favorece a reorganização das conexões entre células cerebrais.
A primeira aplicação, acompanhada pela psicoterapeuta Karine Furlanetto, ocorreu em 10 de outubro de 2024, Dia Mundial da Saúde Mental. Horas depois, Ivo já sentia um bem-estar que não tinha havia anos.
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Hoje posso dizer com convicção: temos novamente uma vida!
Hoje aposentado, ele voltou a conversar, participar de encontros e retomou a restauração de uma motocicleta antiga, projeto parado desde 2017 que chegou a ser cogitado para venda.
O que é a depressão resistente ao tratamento?
A condição é definida pela falta de resposta satisfatória a pelo menos dois tratamentos com antidepressivos de classes diferentes. Segundo o Ministério da Saúde, a depressão pode causar falta de energia, perda de interesse, alterações no sono e dificuldade de concentração, além da tristeza.
O caso de Ivo ilustra um tipo específico de depressão, que não deve ser tomado como indicação de tratamento sem avaliação médica individual.
A saúde mental é hoje a maior preocupação de saúde para 58% dos brasileiros, segundo levantamento divulgado no Dia Mundial da Saúde Mental.
A data também marcou o início da recuperação de Ivo: especialistas reforçaram nesse mesmo dia que alimentação e outros hábitos ajudam a tratar a depressão, ao lado do tratamento clínico. Outro estudo recente mostrou que reduzir ultraprocessados pode aliviar sintomas em quatro semanas.































