A opositora María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29 de outubro) que nunca conseguiu diálogo com o presidente Lula. A declaração veio na primeira coletiva desde que voltou à Venezuela, no domingo (25 de outubro), após dez meses fora do país.

Na coletiva, ela agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro, e disse que a ação abriu caminho para a liberdade da Venezuela. Ela quer voltar a mobilizar a sociedade por novas eleições presidenciais.

"Quero agradecer ao presidente dos EUA, Donald Trump, ao governo dos EUA e ao secretário de Estado, Marco Rubio, porque, graças à sua visão, à sua coragem e à ação de 3 de janeiro, abriu-se essa passagem para a liberdade", disse María Corina.

Questionada sobre a relação com líderes vizinhos, ela disse manter contato frequente com os presidentes de Colômbia, Equador, Paraguai, Chile, Argentina, Bolívia, Guatemala, República Dominicana e Panamá.

Sobre o Brasil, foi direta: "Nunca falei com o presidente Lula, nunca. Essa é a realidade, e acredito que não tenha sido por falta de interesse da minha parte."

Nunca falei com o presidente Lula, nunca.

Quando a Venezuela pode ter nova eleição?

Ainda não há data confirmada. María Corina defende que o pleito ocorra em 2027, e disse que o secretário de Estado dos EUA apresentou uma sequência de medidas para conduzir o país a uma transição democrática.

A própria líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na mesma quinta-feira que vai organizar eleições, sem citar uma data. Rodríguez lidera o país sob tutela de Washington desde a captura de Maduro, e sua permanência no poder trava o calendário eleitoral.

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"Muitos se perguntam sobre os prazos eleitorais. Já disse: haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha", afirmou Delcy Rodríguez.

Segundo o governo americano, o plano prevê a renovação do Supremo Tribunal de Justiça venezuelano ainda neste ano e a reforma do Conselho Nacional Eleitoral logo depois. Só então Rodríguez declararia vacância na Presidência, abrindo prazo constitucional de seis meses para a nova eleição.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a estrutura eleitoral do país foi desenhada pelo governo de Maduro para fraudar votações e precisa ser substituída antes de qualquer pleito válido.

A fala desta quinta-feira expõe uma Venezuela em transição que segue atraindo investimento estrangeiro liberado pelos Estados Unidos após a queda de Maduro, inclusive um acordo no setor de petróleo que pode baixar o preço da gasolina no Brasil.

María Corina havia tentado voltar ao país sete vezes antes de conseguir, depois de ficar impedida de retornar à Venezuela após vencer as eleições de 2024. O retorno coincidiu com o mesmo domingo em que Lula venceu o 2º turno da eleição presidencial brasileira.