A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (29 de outubro) o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, e mais cinco pessoas na Operação Tomada de Contas, por suspeita de fraude em contratos do tribunal.
Agentes cumpriram seis mandados de prisão e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Mais de 180 policiais participaram da ação, autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Além de Almeida, foram presos preventivamente o consultor jurídico-geral do tribunal, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, e os servidores Adriangelo Barros Antunes, Roseli Loss, secretária-executiva do TCE-MT, Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.
A Justiça também autorizou quebra de sigilo bancário e bloqueio de bens dos investigados.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
Segundo a investigação, o grupo teria usado a suspensão de contratos administrativos do TCE-MT como instrumento de pressão sobre fornecedores, mecanismo que teria viabilizado uma espécie de folha de pagamento paralela, com repasses a conselheiros e servidores por fora dos canais oficiais do tribunal.
Os valores apurados até agora chamam atenção pelo tamanho. A PF identificou R$ 500 mil em saques atribuídos a Almeida e R$ 32,3 milhões movimentados em um ano pelo consultor Grhegory.
Os valores foram distribuídos em 179 ordens bancárias por 12 contas em nove instituições financeiras. Um terceiro investigado, Gustavo Fernandes da Silva, movimentou R$ 15,8 milhões no mesmo período.
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O patrimônio declarado de Grhegory saltou de R$ 1,84 milhão em janeiro para R$ 7,61 milhões em outubro, de acordo com a apuração da PF.
Parte dos recursos teria sido direcionada a duas empresas ligadas a ele: a G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos, administrada por sua sogra, e a Maia Reining Horses, um criadouro de cavalos aberto em julho de 2025.
O parágrafo anterior resume os números; o que eles mostram é a dimensão do esquema apurado dentro de um órgão cujo trabalho é fiscalizar as contas de prefeituras e órgãos estaduais.
Agentes também cumpriram mandados de busca nos gabinetes de quatro conselheiros do tribunal que não foram presos: Guilherme Antonio Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Carvalho de Alencar e o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva. Outros oito servidores do TCE-MT também são investigados.
Entre os itens apreendidos nas buscas estão carros de luxo, relógios e maços de dinheiro em espécie.
Episódios do tipo não são raros entre tribunais de contas estaduais. Em agosto, o ministro Flávio Dino afastou o então presidente do TCE-MA, sobrinho de governador, por suspeita de propina.
A PF também apurou fraude parecida em contratos públicos este ano, na Operação Mamon, que mirou contratos de saúde em três estados.
Mato Grosso do Sul, um dos estados atingidos pelas buscas desta quinta, também teve um esquema de corrupção na saúde pública investigado em julho.
Não há, até a publicação desta matéria, nota pública do TCE-MT nem manifestação da defesa dos presos. A investigação segue sob sigilo parcial, sem data confirmada para audiência de custódia ou denúncia formal do Ministério Público Federal.































