Nayumi Gentil Oliveira, de 19 anos, foi diagnosticada com glioblastoma, um câncer cerebral agressivo, e recebeu um prognóstico de menos de um ano de vida. Depois de um tratamento experimental na Unicamp, ela teve o tumor controlado, segundo a equipe médica, e voltou a estudar.

Antes de procurar a Unicamp, Nayumi já havia passado pelos tratamentos convencionais indicados para o glioblastoma, mas o câncer continuava avançando. Foi então que a família recorreu à universidade, onde pesquisadores desenvolviam uma imunoterapia experimental.

Eu falo que foi a mão de Deus que colocou a gente exatamente na Unicamp. E eu sou muito grata, sou muito grata mesmo. Eu acredito muito que se não fosse a Unicamp, a minha filha não estava comigo hoje, não estava mesmo.

A fala é da mãe de Nayumi, Naeide Oliveira, em depoimento à série "Unicamp 60", produzida pela EPTV para os 60 anos da universidade.

Como funciona o tratamento?

O tratamento usa uma tecnologia batizada de OncoTherad, desenvolvida e patenteada pela Unicamp. Nanopartículas sintéticas estimulam o sistema imunológico a ativar linfócitos T, células de defesa que atuam contra tumores e agentes infecciosos.

A ativação estimula a produção de interferon, proteína que ajuda o organismo a combater a doença. A pesquisa é liderada por Wagner José Fávaro, diretor do Instituto de Biologia da Unicamp, e começou há cerca de 13 anos.

A pesquisa começou voltada ao câncer de bexiga, onde tem o resultado mais consolidado: um estudo clínico no Hospital Municipal de Paulínia, com 44 pacientes, teve eliminação completa do tumor em 72,7% dos casos. A aplicação para câncer cerebral é mais recente.

O caso de Nayumi é tratado pela equipe médica como um resultado individual, não como uma cura validada em estudo com grande número de pacientes. Testes do tratamento contra tumores cerebrais, publicados em dezembro de 2024, ainda estão na fase de modelos animais.

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O que mais se pesquisa sobre câncer cerebral no Brasil?

Outras pesquisas brasileiras também miram o câncer cerebral, como o uso do mebendazol, remédio contra vermes, no combate à doença.

Em laboratório, cientistas brasileiros também testam substâncias do inhame contra o câncer.

A entrada de imunoterapias no SUS também é debatida em consulta pública aberta pelo governo federal.