A cobertura vacinal contra o sarampo em crianças de até 5 anos caiu no mundo entre 2020 e 2023, revertendo décadas de avanço. No período, os casos da doença subiram 40% e as mortes, 20%, segundo estudo publicado na revista Nature Medicine.
Por que a cobertura estagnou
A vacina tem duas doses, aos 12 e aos 15 meses. A cobertura da 1ª dose cresceu de 67,2% em 1990 para 83,5% em 2019, mas caiu a 81% em 2023. A da 2ª dose avança devagar: de 68,4% em 2019 para 71,4% em 2023.
O número de crianças sem nenhuma dose da vacina subiu de 19,3 milhões, em 2019, para 22,2 milhões em 2023, segundo o levantamento do Global Burden of Diseases.
A África Subsaariana teve o maior salto de casos entre 2019 e 2023, de 57,3%, com 13,5% mais mortes. No Sudeste Asiático, os casos subiram 39,5% e as mortes, 27,2%. No Norte da África, os casos cresceram 37,4% e as mortes, 54%.
Os países de alta renda também sofreram: nações europeias como Polônia, França, Alemanha e Itália somaram juntas mais de 127 mil casos, a maior carga da doença no continente em mais de 25 anos.
O Brasil foi na contramão
Enquanto o mundo via a cobertura cair, o Brasil recuperou, em novembro de 2024, a certificação de país livre do sarampo pela Opas/OMS, perdida em 2018 após a reintrodução do vírus por queda na vacinação.
Entre 2018 e 2022, o país teve 39.779 casos de sarampo. Para reconquistar o status, precisou provar um ano sem transmissão do vírus e investir mais de R$ 724 milhões em vigilância e vacinação.
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Mesmo assim, o risco segue pela fronteira. Um surto recente em Bangladesh, que matou quase 900 pessoas, reacendeu o alerta no país.
O Brasil já registrou 52 casos importados de sarampo em 2026, a maioria ligada a viajantes vindos de países com surtos ativos.
A cobertura vacinal preocupa em outras frentes no Brasil, como em São Paulo, que completa 38 anos sem pólio com a vacinação infantil abaixo da meta.
O ponto em aberto
A certificação devolvida pela Opas em 2024 mostra que dá para reverter um retrocesso na vacinação, mesmo depois de um surto.
O desafio agora é manter a cobertura alta o bastante para que o vírus importado não encontre criança sem dose suficiente para se espalhar de novo.































