O Amazonas confirmou três casos de sarampo importados do Peru, todos em Tabatinga, na tríplice fronteira com Peru e Colômbia. Uma mulher de 24 anos e duas crianças, de 8 e 1 ano, todas sem vacina, tiveram contato com o vírus em Alto Monte, no lado peruano. O Brasil chegou a 36 casos em 2026.

Outros dois casos seguem em investigação. Um é de um menino de 2 anos, peruano, também em Tabatinga; o outro, de uma menina de 1 ano, brasileira, em Carauari, sem histórico de viagem recente.

A doença é mais perigosa em crianças pequenas. A pneumonia afeta 1 em cada 20 crianças infectadas e é a principal causa de morte associada ao sarampo, segundo o Ministério da Saúde.

A ausência de viagem no caso de Carauari preocupa porque pode indicar transmissão dentro do Brasil, e não só importação. O Ministério da Saúde afirma que o país segue certificado como área livre da doença, mesmo com os casos isolados.

O Brasil perdeu o certificado da OPAS de país livre do sarampo em 2019 e só o recuperou em novembro de 2024. Foram cinco anos para reconquistar o selo.

O total de 36 casos é o dobro do registrado no fim de agosto, quando o país somava 18.

Por que o caso do Amazonas é diferente do surto em SP

Até agora, o sarampo no Brasil vinha do surto paulista, que soma 32 casos por transmissão local. O Amazonas abre uma frente nova, pela fronteira com o Peru, onde a doença circula com força este ano.

A Campanha Nacional de Multivacinação encerrou em 1º de setembro com mais de 8 milhões de doses aplicadas em menores de 15 anos. Mesmo assim, a cobertura da tríplice viral fechou em 90%, abaixo da meta de 95%.

O Peru soma cerca de 2 mil casos em 2026, e as Américas já passam de 47 mil casos confirmados no continente. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, resumiu o risco:

É fundamental a vigilância, o bloqueio desses casos confirmados, a vacinação de pessoas suscetíveis que tiveram contato.

"Geralmente a porta de entrada são os locais de imigração", completou o médico.

O que acontece agora

O Ministério da Saúde afirma que vai reforçar a vigilância e enviar equipes de apoio às unidades de saúde de Tabatinga e Carauari, sem data confirmada. A pasta reforça que os casos são pontuais e que o país segue sem transmissão sustentada da doença.