Bangladesh registra suspeita de quase 900 mortes por sarampo desde março, a maioria delas crianças, segundo a Folha de S.Paulo. O surto avança em meio à queda na cobertura vacinal do país, hoje em 87%, abaixo da meta de 95% da OMS.

O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecidas e se espalha rápido quando a vacinação cai. A pandemia interrompeu a rotina de imunização infantil em Bangladesh, que esperava eliminar sarampo e rubéola até 2020.

Quase metade da população do país relatou receio de se vacinar durante a Covid-19, hesitação que se espalhou para outras vacinas.

Entre 15 de março e 6 de setembro, Bangladesh registrou 92 casos suspeitos de sarampo por 100 mil habitantes e 11 casos confirmados por 100 mil, numa população de 178 milhões.

Em resposta, o país lançou em abril sua primeira campanha nacional de vacinação contra sarampo desde 2020, com dose extra recomendada pela OMS para crianças de 6 meses a 5 anos, vacinadas ou não antes.

Como o Brasil evita o mesmo cenário?

O Brasil soma 27 casos confirmados de sarampo em 2026, segundo o Ministério da Saúde. Desde junho, 24 deles fazem parte de uma cadeia ativa em São Paulo: 21 na capital, 2 em São Bernardo do Campo e 1 em Guarulhos.

A diferença central é a cobertura vacinal. A tríplice viral, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola, estava abaixo de 80% no Brasil em 2021 e chegou a 93% em 2025. Essa recuperação ajuda a conter o surto atual dentro de poucas cidades.

Outros 3 casos brasileiros, 2 em São Paulo e 1 no Rio de Janeiro, já foram encerrados após 12 semanas sem novos registros.

O Ministério da Saúde distribuiu mais de 13 milhões de doses da tríplice viral neste ano, com 5,4 milhões já aplicadas.

Casos importados também já apareceram fora de São Paulo, como mostrou a chegada de sarampo ao Amazonas pela fronteira com o Peru.

O que acontece agora

Bangladesh amplia para todo o país a campanha de vacinação iniciada em abril em apenas 30 subdistritos. A meta é imunizar crianças de 6 meses a 5 anos, mesmo as que já tinham tomado as duas doses padrão.

No Brasil, o desafio é sustentar a cobertura de 93% e evitar nova queda. Entre 2016 e 2022, mais de 80% dos municípios brasileiros não atingiam a meta do Programa Nacional de Imunizações.

Foi esse histórico que levou o governador Ronaldo Caiado a propor uma campanha nacional para recuperar a cultura vacinal no país.

O tema também aparece no balanço de 18 casos de sarampo e na campanha de multivacinação lançada em agosto.