A Arábia Saudita ampliou para todo o estado de Santa Catarina a suspensão de compras de frango. Antes, a restrição valia só num raio de 10 km do foco da doença de Newcastle; agora cobre o estado inteiro, segundo comunicado de quarta-feira (28 de outubro).
O novo bloqueio vale para toda a produção do estado, não só a área afetada pelo surto. Isso diverge do critério que o Ministério da Agricultura vinha defendendo com os parceiros comerciais. O governo defende restringir só a região sob controle sanitário.
Santa Catarina é o maior polo avícola do país. O estado faturou US$ 1,15 bilhão com exportação de carne de frango só entre janeiro e maio de 2026, recorde para o período desde 1997, segundo o Observatório Agro Catarinense, do governo do estado.
Essa cifra responde por cerca de 25% de toda a receita que o Brasil obteve com a venda da proteína ao exterior no mesmo intervalo. O volume embarcado por SC somou 543,1 mil toneladas no período.
Segundo o governo brasileiro, as negociações de regionalização sanitária evitaram perdas de até US$ 954 milhões por ano, na comparação com um cenário em que mais parceiros repetissem as restrições aplicadas no episódio de Newcastle no Rio Grande do Sul, em 2024.
O valor que o governo diz ter evitado com a negociação da regionalização sanitária mostra o tamanho do que está em jogo se mais parceiros seguirem o critério mais amplo adotado agora pela Arábia Saudita.
O surto que motivou as restrições começou neste mês. O Mapa confirmou o primeiro foco em 18 de outubro, num criatório de perus em Nova Itaberaba, antes de um segundo foco ser identificado em Coronel Freitas.
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Depois, a Cidasc confirmou um terceiro foco em Nova Erechim, em granja com 9,6 mil aves que não apresentavam sintomas apesar da detecção do vírus.
Dias antes do avanço saudita, a Malásia suspendeu as compras de frango catarinense, alegando o mesmo foco de Newcastle. Outros mercados asiáticos e latino-americanos adotaram medida parecida na mesma semana.
China, México e Chile também restringiram o produto catarinense por causa do mesmo surto.
Já a África do Sul manteve as compras normalmente, apesar da doença, segundo o quadro mais recente do Ministério da Agricultura.
Quais países restringem a compra de frango do Brasil?
Até a quinta-feira (29 de outubro), mais de 40 países tinham alguma restrição às aves brasileiras por causa do foco de Newcastle em Santa Catarina, a maioria limitada à área de controle sanitário, não ao estado ou ao país inteiro.
| Abrangência da restrição | Países |
|---|---|
| Todo o Brasil | Uruguai, México e Malásia |
| Todo o estado de Santa Catarina | China, Chile, Peru, Turquia, Paraguai, Uzbequistão, os países da União Econômica Eurasiática (Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia) e, desde 28 de outubro, a Arábia Saudita |
| Só a área sob controle sanitário | Emirados Árabes Unidos, Japão, União Europeia, Reino Unido, Coreia do Sul e outros 22 países e territórios |
A diferença entre as três linhas é o que o governo brasileiro tenta reduzir. O Mapa e o Itamaraty trabalham para que mais parceiros troquem o bloqueio amplo pela restrição só à área do foco.
O que acontece agora
Agora, o Ministério da Agricultura negocia com a Arábia Saudita e outros parceiros o reconhecimento da regionalização sanitária, que limitaria o bloqueio à área do foco, e mantém a emergência sanitária de 60 dias nos quatro municípios catarinenses atingidos pelo surto.
A Portaria Mapa nº 962/2026 declarou a emergência zoossanitária em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, e segue valendo enquanto dura a vigilância reforçada na região.
Até lá, cabe ao Itamaraty e ao Mapa negociar caso a caso com cada parceiro comercial a adoção da regionalização em vez do bloqueio amplo. A vigilância sanitária na região foi ampliada em cerca de 9,5 quilômetros depois do terceiro foco.
































