O Ministério da Saúde começou, nesta semana, a oferecer nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia pelo SUS. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, com a expectativa de beneficiar mais de 116 mil pacientes em todo o país.

Os nove remédios cobrem 13 indicações de câncer, entre elas tumores de mama, estômago, próstata, pulmão, rim, tireoide e intestino, além de linfomas. A oferta começa em 20 centros de tratamento, em 16 estados e no Distrito Federal.

Quais remédios passam a ser oferecidos?

Passam a ser oferecidos nove fármacos de alta tecnologia: trastuzumabe, abemaciclibe, acetato de lanreotida, pazopanibe, rituximabe, abiraterona, gefitinibe, TSH recombinante e sunitinibe. Cada um atende um tipo específico de câncer, listado no quadro abaixo, com a ampliação de indicações do rituximabe.

Os 9 medicamentos oncológicos incorporados ao SUS e suas indicações — anúncio do Ministério da Saúde em 20/10/2026
MedicamentoIndicação
TrastuzumabeCâncer de estômago
AbemaciclibeCâncer de mama (precoce ou avançado)
Acetato de lanreotidaTumor neuroendócrino
PazopanibeCâncer renal
RituximabeLinfomas e leucemia (indicações ampliadas)
AbirateronaCâncer de próstata
GefitinibeCâncer de pulmão
TSH recombinante (alfatirotropina)Câncer de tireoide
SunitinibeCâncer renal (células claras) e GIST

A lista reúne terapias já consolidadas no tratamento privado, mas que até esta semana exigiam ação judicial ou compra fora do SUS para a maioria dos pacientes da rede pública.

O que muda para quem tem câncer?

Muda o acesso: tratamentos que custavam caro ou dependiam de decisão judicial passam a ser gratuitos pelo SUS. O abemaciclibe, usado contra o câncer de mama, pode passar de R$ 350 mil por ano na rede privada.

O investimento anual nos nove remédios é de R$ 155,4 milhões.

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Os medicamentos integram o AF-Onco, programa do Ministério da Saúde com estados e municípios. Ele organiza a compra e a distribuição de remédios oncológicos na rede pública. A meta é chegar a 23 novos fármacos até dezembro.

Parte da lista já era esperada. Em agosto, o ministério havia anunciado que o SUS passaria a oferecer três remédios contra o câncer de pulmão a partir de outubro, antecipando o gefitinibe.

O programa nasceu de uma portaria que regulamentou a compra centralizada de remédios contra o câncer no SUS, publicada em outubro de 2025.

A judicialização por remédios de câncer é antiga. Um estudo já havia mostrado que boa parte dos medicamentos pedidos na Justiça deveria estar disponível no SUS.

Para pacientes, o avanço é bem-vindo, mas vem com desconfiança. Helena Esteves, gerente de Advocacy da Oncoguia, disse em setembro que a mudança era "a materialização do que gritávamos há dez anos".

Ela também disse estar apreensiva com a demora do cronograma, que previa início "em outubro" ou só em 2027. O prazo que ela temia não se cumprir é justamente o que começou a valer esta semana.

O que acontece agora

O Ministério da Saúde pretende ampliar a lista para 23 medicamentos oncológicos até dezembro, o que deve aumentar em 35% as opções de tratamento disponíveis na rede pública. Há também R$ 3,9 bilhões reservados no Orçamento de 2027 para a política.

Em novembro, o ministério começa a distribuir 400 mil testes de rastreamento de câncer colorretal nas Unidades Básicas de Saúde, em mais uma etapa do mesmo programa.