O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no sábado (31 de outubro) que o governo americano não facilitou a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no país. Rubio confirmou que o presidente Donald Trump autorizou pessoalmente a permanência do senador por um ano.
Nós não facilitamos em nada. Soubemos que ele chegou aos Estados Unidos. O presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse.
A declaração foi dada em entrevista coletiva em Atlanta. Rubio negou participação direta do governo americano na travessia do senador até os Estados Unidos, mas confirmou o aval pessoal de Trump.
A autorização concedida é da categoria "DT" (Discretionary Parole), emitida pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA. Não é visto nem admissão migratória formal.
É uma permissão condicional avaliada caso a caso, que leva em conta antecedentes, histórico criminal e risco à segurança nacional. O DHS justificou a concessão com base em "razões humanitárias urgentes".
Flávio entrou nos Estados Unidos por Miami com o passaporte diplomático, cancelado dias depois pela Polícia Federal. O órgão também cancelou o passaporte comum do senador.
A medida veio depois que ele descumpriu uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele chegou acompanhado da esposa e de ao menos uma filha.
O trajeto começou na madrugada de 27 para 28 de outubro: Flávio cruzou a fronteira para a Argentina usando um passaporte italiano.
Embarcou em um jato fretado que custou R$ 414 mil, com escala no Equador, até pousar em Miami. No dia seguinte, publicou nas redes uma carta se autoproclamando líder do Brasil.
Publicidade
Por que o governo Trump não reconhece Flávio como líder?
O governo Trump não pretende apoiar a alegação de Flávio de ser o líder legítimo do Brasil, apurou a Reuters com fontes da administração americana. As fontes disseram que o presidente pode mudar de posição no futuro.
O próprio Trump sinalizou essa cautela dois dias antes. Disse a jornalistas, na segunda-feira (26 de outubro): "Gosto do Lula, me dou muito bem com ele".
Mesmo assim, classificou a eleição brasileira como algo que "pareceu manipulada", sem apresentar provas. Para o governo americano, evitar atrito diplomático com o Brasil pesa mais do que disputar o resultado da eleição.
Antes da entrevista de Rubio, Trump já havia dito que o senador poderia ficar nos EUA "o tempo que quiser". A autorização formal, porém, vale só por um ano, até outubro de 2027.
Dentro do Congresso americano, a autorização gerou atrito. Vinte e cinco deputados democratas cobraram explicações formais da Casa Branca sobre os critérios usados na concessão.
O grupo deu prazo até 13 de novembro para resposta. Parte dele já pressionava o governo a reconhecer a vitória de Lula.
No Brasil, a fuga também desorganizou o próprio PL. Da bancada eleita do partido, 117 dos 155 parlamentares não compartilharam a carta golpista publicada por Flávio, enquanto 38 manifestaram apoio. É sinal da fragmentação que a saída do senador provocou entre aliados.
O que acontece agora
A Casa Branca tem até 13 de novembro para responder aos democratas sobre os critérios da autorização. No Brasil, a fuga abriu caminho para um pedido de prisão preventiva contra o senador.
O Itamaraty, sob o chanceler Mauro Vieira, segue acompanhando o episódio pelos canais diplomáticos.































