O favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial ameaça a permanência de Hugo Motta e Davi Alcolumbre na presidência da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027. O PL mira o comando de ao menos uma das duas Casas.
Flávio ouviu apelos de dirigentes dos partidos de Motta e Alcolumbre para mantê-los nos postos. Uma ala do PL só quer fechar acordos a partir de novembro, depois do 2º turno, para evitar atritos antes da eleição.
O grupo também quer ouvir a orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro, caso ele seja solto pelo STF depois da eleição.
Na noite de terça (6), Flávio conversou com o presidente do União Brasil, o deputado eleito Antônio Rueda (RJ). À Folha, Rueda disse que defenderia a permanência de Alcolumbre no Senado, mas não respondeu como foi a conversa.
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Aliados dos dois lados disseram que o diálogo não foi produtivo. Flávio segue resistente a Alcolumbre, e boa parte da bancada do PL cobra a troca de comando no Senado.
Por que Alcolumbre e Motta perderam força com o PL
Alcolumbre (União Brasil-AP) foi eleito presidente do Senado em 2025 com apoio do PL, mas perdeu a adesão da direita ao segurar os pedidos de impeachment de ministros do STF, sobretudo Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
A aproximação de Alcolumbre com Lula antes da eleição piorou a relação. Ficou mais difícil quando ele confirmou a votação do fim da escala 6x1 antes do 2º turno, pressionando Flávio a se posicionar contra um tema popular.
Na Câmara, Motta (Republicanos-PB) foi eleito com apoio do PL, mas também enfrentou desgastes. O principal foi não pautar a anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro, o que poderia dar liberdade a Jair Bolsonaro.
Os deputados votaram um projeto paralelo, com redução de penas, hoje suspenso por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
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O que acontece agora
O União Brasil, federado com o PP, já declarou apoio a Flávio, à espera de ser lembrado na partilha do Congresso e dos ministérios. O nome mais cotado é ACM Neto, derrotado na disputa pelo governo da Bahia, defendido para compor a Esplanada.
A disputa é lida também à luz da pressão sobre o Judiciário: uma ala do STF busca diálogo com o bolsonarismo sob ameaça de impeachment, o mesmo movimento que esvaziou o prestígio de Alcolumbre.
O apoio declarado de um partido a Flávio no 2º turno não garante, por si só, lugar na mesa do poder em 2027. Prova disso é o próprio Alcolumbre, eleito com votos do PL em 2025 e hoje sob pressão do mesmo partido.





























