O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (26) que a eleição presidencial brasileira "pareceu fraudada", sem provas, citando a prorrogação do horário de votação no domingo (25), quando Lula bateu Flávio Bolsonaro por 64,2 milhões a 59,8 milhões de votos.

Trump falou a repórteres na Casa Branca, repetindo a crítica mais de uma vez ao longo da entrevista.

Parecia tão corrupta, tão terrível. As eleições precisam ser incontestáveis e, para mim, a eleição parecia muito ruim.

O republicano, porém, evitou o confronto direto com o petista. "Eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele", disse, negando qualquer intenção de agir a respeito: "Eu não sou candidato no Brasil, sou candidato nos Estados Unidos".

A prorrogação citada por Trump, de 17h para 19h, foi decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, por causa de restrições no transporte coletivo em parte do país. Do total de votos, apenas 34.330 (0,027%) foram registrados depois do prazo original.

O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), rebateu a declaração nesta terça-feira (27). "Não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar", disse, classificando a opinião de Trump como "totalmente equivocada".

Trump ecoou o discurso da campanha derrotada. Horas antes, Flávio havia sido alvo de outra polêmica: o site argentino Infobae publicou que o senador teria deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos, o que a Polícia Federal passou a apurar.

O que a crítica muda na relação Brasil-EUA?

A declaração não deve mudar a relação no curto prazo, segundo analistas ouvidos pelo portal Terra. Não há expectativa de medidas punitivas concretas de Washington, e o pragmatismo econômico tende a prevalecer entre os dois países.

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A economista Monica de Bolle avalia que os interesses econômicos devem prevalecer, e que o Brasil deve buscar o "multilateralismo pragmático" para não ficar entre a rivalidade dos Estados Unidos com a China.

Para analistas, Trump tende a reconhecer quem vence — e pode procurar Lula justamente por ele ter saído vencedor.

Não é a primeira vez que o americano questiona uma eleição brasileira sem provas. Em 2022, Trump já havia levantado suspeitas semelhantes sobre a disputa entre Jair Bolsonaro e Lula, mesmo padrão que se repete agora, quatro anos depois.

A posição de Trump destoa da maioria dos líderes internacionais. Emmanuel Macron, Narendra Modi e outros chefes de Estado já parabenizaram Lula pela reeleição.

Na América do Sul, só Javier Milei ainda não reconheceu a vitória de Lula.

O que acontece agora

O governo dos Estados Unidos ainda não reconheceu formalmente o resultado da eleição brasileira. Analistas preveem que Trump deve, em algum momento, buscar o diálogo com Lula: o republicano tende a valorizar quem venceu a disputa, segundo o cientista político Christopher Sabatini.