O PT e aliados usam a mesma estratégia nas duas Casas do Congresso nesta terça-feira (27). Eles reforçam o apoio a Hugo Motta na Câmara e a Davi Alcolumbre no Senado, isolando o PL, hoje a maior bancada do país.

O movimento chega a 354 parlamentares a favor de Motta, mais da metade dos 513 deputados e acima dos 257 votos necessários para eleger o presidente da Câmara em fevereiro de 2027.

Os deputados do PT não escondem o objetivo. Querem que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, fique fora do bloco que vai formar a Mesa Diretora e escolher as comissões.

É o mesmo roteiro nas duas Casas. No Senado, a Federação União-PP também reforçou o apoio a Alcolumbre nesta terça, horas depois do movimento na Câmara.

A aliança vem sendo construída desde o início do mês. Lula já articulava a reeleição dos dois presidentes quando Motta e Alcolumbre votaram no 1º turno, em 4 de outubro.

Segundo projeções de técnicos do Congresso, no bloco de 17 partidos que Motta articula para isolar o PL, o partido ficaria com a 16ª escolha de comissão a presidir, em vez das três primeiras num cenário anterior.

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Mesmo nesse cenário mais apertado, o partido manteria 7 comissões na Câmara dos Deputados.

O que diz o lado do PL

O PL ainda não definiu posição sobre a disputa da Câmara. Inicialmente, o partido queria concorrer ao comando da Casa num cenário em que Flávio Bolsonaro tivesse vencido a eleição presidencial, o que não aconteceu.

A sigla virou a maior bancada do Congresso, com 149 parlamentares entre Câmara e Senado, e estuda lançar candidatos tanto à presidência da Câmara quanto à do Senado.

O ponto em aberto

A estratégia de isolar o PL nas duas Casas ainda depende de um detalhe que não está fechado. Os 17 partidos do bloco de Motta precisam confirmar apoio até fevereiro, e a federação PSOL-Rede segue sem formalização.

O PL, maior bancada do Congresso, tem até fevereiro para negociar cargo a cargo e tentar reverter parte do isolamento anunciado nesta terça.