O "Exército do Lula", grupo de WhatsApp criado pelo deputado federal André Janones e que já soma mais de 10 milhões de membros, inspirou ativistas de esquerda a criar canais políticos semelhantes na França, na Espanha e na Argentina.

Na França, apoiadores do líder de esquerda Jean-Luc Mélenchon criaram o canal "Les Soldats Insoumis". A repercussão levou o próprio partido França Insubmissa (LFI) a lançar um canal oficial, que já tinha mais de 15 mil membros na terça-feira (27).

Os integrantes recebem "missões" para ampliar o alcance de publicações, convidar novos participantes e bloquear perfis de adversários políticos. A lógica é a mesma usada pelo grupo brasileiro.

Na Argentina, seguidores do kirchnerismo lançaram o "Ejército del Peronismo", com canal de WhatsApp que já passa de 32 mil seguidores. Na Espanha, apoiadores do premiê Pedro Sánchez (PSOE) criaram o grupo "La fuerza de la gente".

A estratégia de Janones também foi alvo de disputa no TSE

Em 11 de outubro, ainda durante a campanha, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, suspendeu o canal por três horas a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusava o grupo de espalhar desinformação. Janones chamou a decisão de censura.

O caso voltou à Justiça Eleitoral dias depois. O PT entrou com mandado de segurança para evitar nova suspensão do canal, a dois dias do 2º turno.

Uma checagem independente deu um resultado misto. A Agência Lupa não encontrou desinformação nas 721 mensagens analisadas do canal de Janones, mas identificou linguagem polarizadora — o canal de Flávio também apresentou problema semelhante, segundo a checagem publicada pela própria TV Sim Brasil.

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O modelo criado por Janones já desperta interesse formal no exterior.

Veículos europeus já chamam o deputado de "general das redes" da vitória de Lula. Uma coluna chegou a afirmar que ele teria sido convidado a ajudar a campanha de Sánchez na Espanha.

Nem o PSOE nem o deputado confirmaram oficialmente o convite.

O que acontece agora

Os grupos internacionais seguem ativos fora do período eleitoral brasileiro, usando o modelo de "missões" para crescer. Mensagens do canal francês já circulam também em português, sinal de contato direto com a equipe original do "Exército do Lula".

Na América do Sul, o cenário político segue dividido: sete chefes de estado são hoje de direita, contra cinco alinhados à esquerda, pano de fundo em que a estratégia de mobilização digital brasileira ganhou visibilidade.