A eleição parlamentar de Israel terminou na noite desta terça-feira (27) sem um vencedor definido. Pesquisas de boca de urna mostram o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tecnicamente empatado com o do principal rival, o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot.
Nenhum dos dois lados atingiu os 61 assentos necessários para formar maioria no Knesset, que tem 120 cadeiras. Segundo a CNN Brasil, a votação foi encerrada no fim da tarde de terça, e a contagem segue madrugada adentro.
Às 23h30 (horário local), com 1,21 milhão dos 7,33 milhões de votos registrados já apurados, o Likud, partido de Netanyahu, liderava com 23,36% dos votos válidos. O Yashar, de Eisenkot, vinha em segundo, com 15,74%.
Os institutos de pesquisa divergem sobre o tamanho de cada bloco. O Canal 12 colocou a coalizão de Netanyahu à frente, com 52 cadeiras contra 49 da oposição. Já os canais 11 e 13 cravaram empate técnico, com 51 cadeiras para cada lado.
A participação eleitoral foi a maior desde 1999, segundo a cobertura internacional acompanhada pela reportagem. Eisenkot reivindicou a vitória do bloco opositor e afirmou que vai agir para substituir o governo de Netanyahu.
O premiê israelense, por sua vez, disse que os números ainda mostravam que seu bloco de direita tinha o apoio de uma "maioria decisiva entre o público sionista e judeu", mesmo sem a maioria formal de cadeiras.
O que acontece agora em Israel?
Agora começa a negociação de coalizão, que pode levar semanas ou meses. O presidente israelense, Isaac Herzog, vai consultar cada partido eleito sobre sua preferência para primeiro-ministro. Com base nessas conversas, ele indica quem tenta formar governo primeiro.
É improvável que o indicado seja o próprio Netanyahu. Nem o bloco de oposição nem os partidos árabes o apoiariam.
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Uma pesquisa do centro aChord, da Universidade Hebraica, feita na noite de terça, mostrou que a maioria dos eleitores de oposição quer que Eisenkot forme governo com o Raam, partido árabe.
Se ele fracassar, o processo recomeça com outro nome. Sem acordo no Knesset, o país vai a novas eleições.
O que isso muda para o Brasil?
O resultado chega em um momento delicado para a relação entre os dois países. Brasil e Israel vivem o pior momento diplomático da história bilateral desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto.
Os dois países retiraram a indicação de seus embaixadores, e o Brasil levou Israel à Corte Internacional de Justiça, em Haia.
Hoje as embaixadas operam no nível mais baixo da hierarquia diplomática, por encarregados de negócios. Netanyahu havia sinalizado publicamente que apostava na vitória de Flávio Bolsonaro, a quem convidou para visitar Israel durante a campanha, para destravar o impasse.
Em 5 de outubro, ele chegou a publicar nas redes que esperava a "restauração da extraordinária amizade entre Israel e Brasil". A escolha da palavra atribuía a Lula a responsabilidade pela ruptura.
Foi uma mensagem que seguiu um tom já usado por Netanyahu antes da eleição.
Com a reeleição de Lula no domingo (25), esse cenário não se confirmou.
Analistas internacionais apontam que a relação tende a seguir congelada enquanto Netanyahu estiver no poder.
Uma eventual vitória de Eisenkot pode abrir uma via distinta: ele não fez o mesmo investimento pessoal no campo de Flávio e poderia reconstruir o diálogo com Brasília sem o desgaste acumulado pelo premiê israelense.































