O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (13) que uma exploração "maciça" de petróleo, gás e minerais está prestes a começar na Groenlândia. O anúncio vem um mês depois do acordo de segurança entre Washington e a ilha ártica.

Na publicação, Trump citou especialistas não identificados para descrever as reservas da ilha e reforçou o valor estratégico do território para a defesa dos Estados Unidos e da Europa.

Qualquer ataque futuro aos Estados Unidos terá de passar pela Groenlândia, onde nossas defesas derrubarão rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outro tipo de arma que sequer tenha sido concebido.

afirmou o presidente americano, na mesma publicação em que descreveu a Groenlândia como território que oferece "tempo, localização e campo de visão como nenhum outro lugar do mundo".

O acordo de setembro com a Dinamarca e a Groenlândia

O acordo assinado em setembro deu aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança da Groenlândia, selado por Trump, a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen e o premiê groenlandês Jens-Frederik Nielsen em cerimônia após o discurso do presidente americano na ONU.

O governo da Dinamarca diz que o texto preserva a soberania do reino e o direito à autodeterminação dos groenlandeses. O premiê Nielsen afirma que o tratado atende aos interesses do território. O entendimento não atende à exigência histórica de Trump de anexar a ilha.

Nos Estados Unidos, as refinarias da Costa do Golfo operam no limite da capacidade para compensar interrupções causadas pela guerra no Oriente Médio.

A reserva de emergência de petróleo do país está no nível mais baixo desde 1982, e produtores no Golfo do México chegaram a interromper 16,13% da produção diária de petróleo depois da passagem do furacão Isaías, em 10 de outubro.

Publicidade

O contraste com a aposta do Brasil no petróleo

O Brasil também amplia sua fronteira de petróleo enquanto Washington mira o Ártico. A produção brasileira bateu recorde em 2025, com 3,77 milhões de barris por dia, alta de 12,3% sobre o ano anterior, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A fronteira mais disputada é a Margem Equatorial, ao norte do país, perto da foz do Amazonas. Em agosto, o governo chegou a citar a região como alternativa se Trump fechasse o Estreito de Ormuz, rota de parte do petróleo do Oriente Médio.

Em setembro, Lula defendeu que o Brasil deve "tomar conta" da Margem Equatorial.

No início de outubro, a Petrobras anunciou ter encontrado mais petróleo na Foz do Amazonas, embora a produção comercial ainda esteja distante.

A mesma corrida por reservas que leva Washington ao Ártico também empurra Brasília para dentro da foz do Amazonas. A disputa ocorre menos de um ano depois de o Brasil sediar a COP30, em Belém, onde Lula defendeu o fim da dependência de combustíveis fósseis.

Um mês antes da conferência, o Ibama havia liberado licença de pesquisa à Petrobras na mesma região, decisão que o presidente classificou como "uma etapa técnica".

Não é a primeira decisão do americano a mexer com o mercado de combustíveis do Brasil nesta semana. Um dia antes, Trump liberou a compra de diesel russo por países como o Brasil, maior comprador do produto no mundo.

Trump não deu data para o início da exploração na Groenlândia.