A eleição presidencial deste domingo (4) no Brasil é vista por analistas como o maior teste da estratégia do governo de Donald Trump para a América Latina, em meio à disputa pela reeleição entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
A disputa ocorre em meio à ampliação da influência americana na região.
"O Brasil é o maior prêmio. É pessoalmente importante para Trump. Ele tem uma relação com a família Bolsonaro que remonta a muitos anos", diz à BBC News Brasil o analista político Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly.
Para Winter, uma vitória de Bolsonaro seria a peça fundamental da "onda laranja", termo usado para descrever o avanço de líderes alinhados a Trump na região. Já uma vitória de Lula solidificaria seu legado como liderança histórica da esquerda no Sul Global.
O que Trump já disse sobre a eleição
Trump afirmou na quinta-feira (1º) que está acompanhando o pleito brasileiro "de perto", sem citar nenhum dos dois candidatos. Questionado no dia seguinte se apoiaria Bolsonaro, repetiu a mesma resposta evasiva.
"O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante", disse o presidente americano a jornalistas. As declarações vieram em meio ao receio do governo brasileiro de que Trump tente interferir no resultado.
A "Doutrina Donroe" tem no Brasil sua maior resistência
Winter chama de "Doutrina Donroe" a mistura de intervencionismo e pressão econômica que caracteriza a política de Trump para a região. Para ele, o Brasil é "a grande e fascinante exceção" ao sucesso dessa estratégia.
O maior fracasso, segundo o analista, foi o tarifaço de 2025, que fortaleceu Lula em vez de enfraquecê-lo.
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Na sexta-feira (2), os EUA suspenderam o atendimento consular em cinco cidades brasileiras, e a Austrália fechou sua embaixada em Brasília. Ambos os países citaram segurança, sem detalhar as ameaças.
O episódio se soma à onda de troca de governos que já atingiu três países da região nas últimas semanas.
O que acontece agora
Os brasileiros vão às urnas neste domingo (4). Segundo Winter, se a eleição for decidida pelo tema segurança pública, Flávio Bolsonaro vai vencer. Em caso de derrota dele, avalia o analista, a Casa Branca reagiria com decepção e buscaria um entendimento pragmático com Lula.



























































