O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste domingo (11) que só vai parar os ataques a refinarias russas se a Rússia também parar de atacar a infraestrutura de energia ucraniana, resposta a Trump, que cobrou o fim unilateral das ofensivas de Kiev.

Trump atribuiu aos ataques ucranianos a alta do diesel nos EUA e disse que Zelensky “é melhor que pare de uma vez”. Sugeriu ainda que a Ucrânia trocasse de líder, por ele já ter perdido chances de fechar acordo com Moscou.

Zelensky já vinha ampliando os ataques às refinarias que bancam a guerra russa nas últimas semanas, como resposta à ofensiva de Moscou contra a infraestrutura de energia ucraniana.

A verdadeira causa da guerra na Europa é a Rússia e somente a Rússia. É possível interromper os ataques à infraestrutura energética já hoje, mas Putin não quer fazer isso.

A fala de Zelensky veio acompanhada da exigência de “garantias reais” para qualquer acordo de desescalada. No sábado, ele já havia reagido com indignação ao anúncio de Trump sobre um pacto para flexibilizar as sanções ao diesel russo.

Segundo o ucraniano, a medida encoraja novos ataques de Moscou contra a Ucrânia. Em Kiev, moradores criticaram a sugestão de Trump de que o país trocasse de líder.

“Ninguém tem o direito de nos dizer o que fazer, especialmente porque não se podem realizar eleições em tempos de guerra. Na minha opinião, isso é uma traição por parte dos nossos parceiros”, disse Sabina, professora de 40 anos, à Reuters.

Nos Estados Unidos, o acordo com a Rússia também foi criticado por parlamentares do próprio partido de Trump. O deputado republicano Don Bacon defendeu mais sanções a Moscou em vez de flexibilização.

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O que isso muda no preço do diesel no Brasil

O aperto no fornecimento global de diesel já chega ao consumidor brasileiro. O litro do diesel S-10 bateu R$ 7,35 nos postos do país na semana encerrada em 5 de outubro, o maior valor desde o fim de abril.

É a quarta alta seguida desde os R$ 6,88 do início de setembro. Com refinarias do Oriente Médio e da Rússia fora de operação, as refinarias americanas viraram a principal fonte externa de diesel do Brasil, respondendo por 80% das importações do combustível em outubro.

Para conter o repasse ao consumidor, o governo Lula anunciou, em 9 de outubro, subvenção de R$ 1,40 por litro de diesel importado, com custo de R$ 1,6 bilhão em 30 dias — dias depois de Putin liberar diesel russo para os EUA.

O mesmo conflito que leva Zelensky e Trump a trocar acusações sobre as refinarias é, portanto, parte do que pressiona o preço do combustível que move caminhões e ônibus no Brasil.

A Petrobras já fechou a compra de 650 milhões de litros de diesel importado para outubro e garante o abastecimento até o fim do mês, mesmo com a sequência de altas que levou o diesel a R$ 7,35 nos últimos 30 dias.

O que acontece agora

Zelensky afirmou que mantém conversas diárias com líderes europeus sobre novos pacotes de defesa aérea, incluindo munição para interceptar drones russos.

Analistas avaliam que o acordo de diesel entre Washington e Moscou dificilmente derruba os preços de forma duradoura, já que os volumes negociados ficam bem abaixo do que a Rússia exportava antes dos ataques às refinarias.

No Brasil, o governo acompanha de perto o efeito da crise e soma a subvenção aos esforços para segurar o preço do diesel até o fim do ano.