O ministro Alexandre de Moraes, do STF, arquivou a investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. A decisão foi tomada em 4 de setembro e seguiu parecer da PGR.

O teor só veio a público nesta terça-feira (6), já que o processo corre sob sigilo.

A Polícia Federal havia indiciado os quatro em agosto de 2025 por suspeita de obstrução de investigação e incitação ao crime. O alvo era a campanha contra Fábio Shor, delegado que apurou casos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre eles, o das joias.

Segundo o indiciamento da PF, a campanha incluiu dados pessoais de Shor e fotos da mulher e de um filho menor de idade dele na internet. Também circularam publicações falsas sobre o delegado ter apontado arma para crianças.

Um boneco de pelúcia foi pendurado no limpador de para-brisa do carro dele, em Brasília. Do Val chegou a publicar, em junho de 2023, que possuía planilhas com "a riqueza de detalhes" sobre cada membro da corporação.

A PGR reuniu postagens em redes sociais, registros telefônicos, conversas, dados fiscais e financeiros e depoimentos para analisar o caso. O órgão reconheceu que houve ações para atingir a imagem de agentes da PF e do STF.

Em alguns casos, segundo o parecer, foi ultrapassado o limite da tolerância diferenciada imposta a quem serve ao público, mas isso não bastou para sustentar denúncia pelos crimes apontados pela PF.

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"O farto material probatório, no entanto, não logrou demonstrar a existência de articulação estruturada para dolosamente incitar a prática de crimes contra os agentes públicos ou obstruir, concretamente, investigações específicas", diz o parecer da PGR.

Para a Procuradoria, os fatos se aproximam mais de crimes contra a honra praticados contra servidores públicos. Esses delitos dependem de representação ou queixa dos próprios ofendidos, o que não ocorreu no caso de Shor.

Moraes acolheu o parecer e determinou o encerramento do caso, com ressalva para retomada das apurações caso surjam novas provas. A disputa entre bolsonaristas e o STF, porém, segue em outras frentes.

Em setembro, o deputado Eduardo Bolsonaro pediu sanções dos EUA contra Moraes.

No mesmo mês, o senador Gilmar Mendes propôs a retirada de delegados e militares dos gabinetes do tribunal. O episódio expôs o desconforto da própria Corte com a presença de agentes da PF em cargos de assessoria.

O arquivamento também repete um padrão recente na PGR. No início de outubro, o órgão arquivou um pedido sobre suposta interferência dos Estados Unidos em outro inquérito, mesmo com a PF seguindo a apuração à parte.

O que acontece agora

O arquivamento não fecha a porta. Moraes deixou a ressalva de que a apuração pode ser retomada se surgirem provas novas contra os quatro investigados.

Para o crime contra a honra que a PGR identificou, um novo processo depende de queixa do próprio Shor, que não havia sido apresentada até a decisão.