O procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, por falta de provas. A Polícia Federal teve entendimento oposto e abriu inquérito sobre o caso neste domingo (4).

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou a abertura da investigação. O documento da AGU passou pela análise da área técnica da corporação antes de seguir para a Diretoria de Inteligência.

A AGU acionou a PGR e a PF depois de uma reportagem internacional apontar que o governo de Donald Trump teria destinado US$ 1 milhão a um projeto contrário às ações do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil.

Segundo a PGR, o pedido se baseava apenas na reportagem, sem documentos ou outros elementos concretos que confirmassem o repasse, a participação de autoridades brasileiras ou atividade ilícita em território nacional.

"Não havia base suficiente para atuação preventiva do Ministério Público Federal", afirmou a PGR em nota sobre o arquivamento.

O arquivamento não impede que o caso seja reaberto caso surjam elementos concretos no futuro. Mas, na prática, as duas principais instituições responsáveis por apurar fraude e crime no país leram o mesmo alerta e chegaram a decisões opostas, às vésperas da votação.

Por que a PF seguiu outro caminho

A PF decidiu investigar porque identificou elementos que, na avaliação técnica da corporação, justificavam apuração. A corporação também apura, de forma paralela, informações sobre um possível ataque recebido da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

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Agentes da PF cumpriram dois mandados de busca e apreensão relacionados ao caso no sábado (3), véspera do primeiro turno. O inquérito é o desdobramento de uma investigação sobre possível interferência dos EUA na eleição que a corporação já vinha conduzindo.

A divergência expõe um descompasso raro entre dois órgãos federais.

PGR e PF analisaram o mesmo ofício da AGU e chegaram a conclusões opostas sobre a necessidade de apurar.

A preocupação com ingerência externa no pleito não é nova. Nas últimas semanas, o país passou a reforçar a blindagem contra interferência dos EUA na eleição, e um estudo apontou que episódios semelhantes já ocorreram duas vezes no país.

O que acontece agora

O inquérito da PF segue em fase preliminar, sob responsabilidade da Diretoria de Inteligência. Não há prazo público para conclusão.

A PGR pode voltar a avaliar o caso se a PF reunir elementos concretos que apontem repasse de recursos, participação de autoridades brasileiras ou atividade ilícita no país — os pontos que faltaram, segundo a Procuradoria, no pedido original da AGU.