O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (6) que a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) poderá indicar o titular do Ministério da Agricultura em um eventual governo dele. A bancada reafirmou apoio à candidatura no 2º turno, em reunião em Brasília.

O que Flávio prometeu em troca do apoio

Flávio disse ter se comprometido com pautas da bancada: renegociação de dívidas rurais, investimento em infraestrutura, seguro agrícola e redução da taxa de juros para o setor. Também prometeu buscar "soberania" para o setor de fertilizantes, reduzindo a dependência de insumos importados.

"Vamos fazer um governo responsável, trazer muitos investimentos em infraestrutura, vamos ampliar a nossa capacidade de armazenagem para melhor negociar os preços das nossas commodities, não só aqui no Brasil, mas com todo mundo", disse o senador.

A crítica da bancada ao governo Lula

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PR-Republicanos), criticou a política econômica do governo Lula para o setor. Segundo ele, uma dívida pública de R$ 11 trilhões e juros altos têm travado os investimentos dos produtores.

"Um juro real superior a 20% para o produtor rural impede qualquer tipo de produção", disse Lupion. "Quando impede a produção, impede a geração de emprego e impede o crescimento econômico", completou.

A crítica mira o mesmo Plano Safra que o governo Lula apresenta como recorde: o crédito liberado caiu 26% no início do ciclo atual, o pior resultado em cinco anos.

O aceno de Flávio repete o que fez a outras bancadas no 2º turno: trocar apoio político por promessa de poder de indicação em áreas estratégicas do governo.

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O que Lula propõe para o setor

O programa de governo de Lula prevê fortalecer o crédito rural e ampliar os recursos do Plano Safra, priorizando financiamento para máquinas, irrigação e tecnologia. O texto também propõe fortalecer o seguro rural, mas não apresenta proposta específica para dívidas, diferentemente de Flávio.

Na abertura de mercados, a proposta de Lula é dar continuidade à diplomacia comercial e ampliar adidos agrícolas em países estratégicos, sem detalhar valores. A FPA já havia declarado apoio a Flávio ainda no 1º turno, antes da disputa do 2º turno.

A renegociação de dívidas, uma das pautas cobradas pela bancada, já soma R$ 100 bilhões e está travada, segundo produtores ouvidos em setembro.