O deputado federal André Janones (Rede-MG) ampliou a tropa digital do presidente Lula (PT) menos de 48 horas após o fim do 1º turno, domingo (4). O canal "Exército do Lula" já passa de 1 milhão de membros, segundo a Folha de S.Paulo.

Reeleito no domingo, Janones disse à Folha que tomou a iniciativa por conta própria. "Não vou mais ficar esperando a campanha, temos três semanas para virar a eleição", afirmou.

O canal foi criado em abril e tinha cerca de 50 mil pessoas até a votação do primeiro turno. Depois disso, passou a concentrar missões para os integrantes.

A cada hora, Janones divulga áudios orientando que novos membros convidem mais três pessoas para o grupo. "Tomou uma proporção maior do que eu imaginava", disse o deputado, que mira entre 2 e 3 milhões de seguidores até o fim da semana.

Como funciona a mobilização

A estratégia organiza a militância para que postagens sobre Lula saiam de forma coesa, mesmo em ambientes digitais diferentes. Janones busca capilaridade semelhante à de produtores de conteúdo de direita, que fazem postagens coordenadas nas redes.

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Ele convocou influenciadores, formadores de opinião e políticos com 500 mil seguidores ou mais para divulgar o grupo, com collabs no Instagram que ampliam a circulação das postagens em seu próprio perfil.

"Comunicação unificada é algo que não tivemos nesses quatro anos de governo", explicou Janones à Folha. O movimento soma-se à campanha que a esquerda latino-americana já fazia por Lula nas redes sociais.

O deputado já foi estrategista das redes na campanha de Lula em 2022. Em agosto, havia escrito que Flávio Bolsonaro (PL) ultrapassaria Lula nas pesquisas.

Um mês depois, alertou que o bolsonarismo atrairia os votos úteis do eleitorado de direita, leitura que antecipou o empate técnico entre Lula e Flávio apontado por pesquisas no início do 2º turno.

O que diz o outro lado

Integrantes da comunicação do PL e influenciadores de direita se reuniram em videoconferência na mesma terça-feira para tentar barrar o avanço do canal. Parte deles entrou no grupo e fez denúncias em massa na plataforma, segundo o SBT News.

Ainda assim, o canal somou 1,2 milhão de inscritos no mesmo dia dos ataques e ganhou também uma página no Instagram como alternativa.

O resultado é claro: a disputa pelo 2º turno já migrou para dentro dos aplicativos de mensagem, não só das redes abertas.

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"Estão tentando derrubar o 'Exército do Lula', os bolsonaristas, a extrema-direita, os apoiadores do Flávio começaram a fazer denúncia em massa", respondeu Janones nas redes sociais.

O grupo ligado ao PL alega que o canal publica conteúdo falso sobre Flávio Bolsonaro, incluindo a afirmação de que ele proibiria o voto feminino.

O que acontece agora

Janones afirmou que vai dedicar o restante da semana a ampliar o canal. A meta é de 2 a 3 milhões de membros antes do segundo turno, em 25 de outubro, quando Lula enfrenta Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência.

O PL, por ora, mantém a ofensiva de denúncias.