Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) busca diálogo com um grupo do bolsonarismo diante da ameaça de impeachment, apurou a CNN. O PL, partido de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitou os sinais e mira a saída de Moraes e Flávio Dino.

"Já há um grupo dentro do Supremo Tribunal Federal que defende buscar um diálogo com uma ala dentro do bolsonarismo", afirmou Jussara Soares ao CNN Prime Time.

Segundo a apuração, o crescimento da bancada do PL e de senadores de direita gerou preocupação nos bastidores do STF. A reação dos ministros é discreta, mas ficou evidente que será difícil conter a tramitação de impeachment a partir de 2027.

Jussara Soares apurou que o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL), procurou o decano da Corte, Gilmar Mendes, e também o ministro Cristiano Zanin, para enviar recados sobre disposição ao diálogo.

O que o eventual acordo envolveria

Um eventual entendimento pouparia ministros da ameaça de impeachment em troca da revisão da prisão de Jair Bolsonaro e da aprovação, por unanimidade, da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, apurou o analista de política da CNN Caio Junqueira no mesmo programa.

Segundo Caio Junqueira, ao longo da segunda-feira (5), o entorno de Flávio Bolsonaro identificou acenos de um grupo do STF. Outro gesto citado foi o apoio público do ex-presidente Michel Temer a Flávio Bolsonaro, antes de outros partidos derrotados declararem posição.

Temer foi quem indicou Moraes ao STF, em 2017. Ele é visto hoje como elo político entre o ministro e a família Bolsonaro.

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O PL, porém, descarta qualquer negociação com Moraes. Pelos cálculos do partido, já há 49 votos garantidos para o impeachment do ministro, e faltam cinco para chegar aos 54 necessários — o mesmo patamar que a oposição buscava desde setembro.

O afastamento de Flávio Dino, auxiliar mais recente na lista de alvos, dependeria de como ele agir caso Flávio Bolsonaro vença a eleição, segundo a análise da CNN.

A posição pública de Marinho

Em setembro, Marinho optou por não assinar o pedido de impeachment contra Moraes, citando as denúncias envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, que para ele são "extremamente graves".

"Não assinei esse pedido de impeachment para não abrir espaço para uma futura alegação de nulidade", disse o senador.

A cautela de Marinho é tática, não recuo: em vez de assinar, ele protocolou notícia-crime no Ministério Público Federal pedindo o afastamento e a prisão de Moraes.

O que acontece agora

Há 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF pendentes no Congresso, segundo o Poder360. O desfecho depende da composição do novo Congresso e do resultado do 2º turno presidencial, em 25 de outubro, que define o peso de cada lado na negociação.