O governo identificou 40 contas de apostas, com saldo entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, sob suspeita de lavagem de dinheiro, informou nesta terça-feira (6) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A apuração corre em coordenação com a Polícia Federal.
"Não estou dizendo que todas são lavagem de dinheiro, mas há uma movimentação que discrepa do grosso das contas", disse o ministro, em declaração anterior sobre o mesmo levantamento.
As contas foram encontradas depois que o governo proibiu as bets no país pela Medida Provisória 1.394/26, assinada por Lula em 25 de setembro. Desde então, 26,5 milhões de apostadores ainda têm R$ 1,3 bilhão para sacar das plataformas.
O prazo para retirar o saldo terminou na segunda-feira (5). Os bancos devolvem o restante entre os dias 9 e 14 de outubro.
O dinheiro não está espalhado igualmente entre os usuários. Segundo o ministério, 1% dos apostadores concentra 80% do saldo total em bets, e 3,4% concentra 90%.
É esse grupo pequeno e concentrado que está sob mira da investigação por lavagem.
"Um volume diário de R$ 650 milhões saía da poupança popular para as bets. Esse valor passa a ficar com as famílias", afirmou Durigan.
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Desde a proibição, o governo derrubou mais de 11 mil sites de bets ilegais. Também removeu 188 plataformas registradas. E tirou do ar 3.489 páginas e perfis em redes sociais.
O uso do Pix para pagar bets caiu 30% depois da proibição, mas o acesso a sites ilegais disparou 141% no mesmo período, levando apostadores para fora do radar dos bancos.
A Blaze, uma das maiores plataformas do país, é outro alvo da fiscalização: a Fazenda apura uma falha de R$ 2 bilhões no combate a fraudes da empresa.
A proibição completa das bets veio por medida provisória assinada pelo presidente Lula a nove dias da eleição, em meio à disputa com Flávio Bolsonaro pela Presidência.
Em 2025, antes da proibição, as bets já haviam tirado R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras, segundo levantamento da própria Fazenda. O problema já era grande antes de virar proibição.
O que a investigação ainda precisa provar
O que ainda falta responder é simples: quantas das 40 contas vão virar investigação formal de lavagem, e quanto desse R$ 1,3 bilhão parado nas plataformas tem origem lícita. A resposta depende do trabalho da Polícia Federal, sem prazo definido até agora.





























