A Marcenaria Baraúna abre nesta quarta-feira (7) uma exposição de 40 anos na Vila Madalena, em São Paulo, com móveis emprestados por clientes que já os usam há décadas. As peças têm riscos, manchas e marcas de uso, mantidos de propósito.

Para Marcelo Ferraz, um dos fundadores da marcenaria, a escolha mostra que as peças foram feitas há 40, 35 ou 30 anos, e não escondem o tempo de uso.

A ideia acompanha a Baraúna desde 1986: um móvel deve durar não só porque foi bem construído, mas porque seu desenho não envelhece.

"A gente talvez nade na contracorrente da novidade. Nesse campo do design tem muito essa coisa da moda. E a gente acha que as coisas que ficam mais tempo são mais profundas", afirma Ferraz.

A marcenaria nasceu quando Ferraz e o arquiteto Marcelo Suzuki terminavam o mobiliário do Sesc Pompeia, projeto de Lina Bo Bardi. Os dois decidiram abrir a empresa logo depois.

Ferraz trabalhou ao lado de Lina por 15 anos, até a morte da arquiteta, em 1992. Francisco Fanucci, sócio dele no escritório Brasil Arquitetura, também participou da criação da Baraúna.

Lina aprovou a ideia da marcenaria, mas avisou: "Acho ótimo. Mas tome cuidado, porque é complicado." Segundo Ferraz, ela já previa que os móveis seriam copiados.

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A cadeira Girafa está entre as primeiras peças da marcenaria e é hoje seu móvel mais conhecido. Criada por Lina, Ferraz e Suzuki, foi feita originalmente para a Casa do Benin, em Salvador.

Lina não acreditava no projeto no início.

"A gente fazendo a Girafa e a Lina dizia que não ia dar certo, que ela já tinha experimentado aquilo dez anos antes. Eu e Suzuki começamos a insistir", lembra Ferraz.

A marcenaria permitiu fazer o protótipo em tamanho real. A cadeira ficou em pé, Lina aprovou e deu a ela o nome de Girafa, apesar de não gostar da comparação com o banco de três pés do finlandês Alvar Aalto.

A Girafa demorou cerca de dez anos para ganhar mercado, segundo Ferraz. Quatro décadas depois, continua sendo a peça mais vendida da Baraúna.

O que acontece agora

A homenagem à arquiteta ítalo-brasileira não é a única do ano: em outubro, a Casa de Vidro projetada por Lina completou 75 anos, também com mostra gratuita em São Paulo.