Dos 39 candidatos identificados pelo g1 que incorporaram ao nome de urna uma referência a outra pessoa nas eleições de 2026, apenas 8 foram eleitos. Os outros 31 ficaram de fora das vagas disputadas no domingo (4), segundo o levantamento.

Entre os vencedores, 7 dos 8 já tinham trajetória política antes da eleição. Ícaro de Valmir (Republicanos-SE) foi reeleito deputado federal.

Ele é filho de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que também usa o nome do pai na urna e disputou o governo de Sergipe, mas perdeu.

Ibrain de Valmir, filho da liderança política Valmir Monteiro, foi reeleito deputado estadual no mesmo estado. Já João de Nadegi, filho da ex-prefeita de Camaragibe (PE) Nadegi Queiroz, também garantiu a reeleição para deputado estadual.

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Quem são os eleitos com nome emprestado

Completam a lista Hassan de Zé Cocá (PP-BA), Davi de Raimundão (MDB-CE), Paulinho do Bonifácio (Pode-TO) e Leandro do Waguinho (MDB-RJ), todos reeleitos para cargos estaduais com nomes de urna que remetem a parentes ou aliados políticos com carreira própria na região.

O caso de Hassan de Zé Cocá foge do padrão: a referência em seu nome não é a um parente, mas ao aliado político Zenildo Brandão Santana, o Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié (BA).

A exceção que estreou na política

A única estreante entre os 8 eleitos é Marina JHC (PSDB-AL), empresária e ex-primeira-dama de Maceió. Ela conquistou uma vaga no Senado com 926.860 votos, segundo o TSE.

Marina é esposa de João Henrique Caldas, o JHC, eleito governador de Alagoas no mesmo pleito. Aos 35 anos, tornou-se a mulher mais jovem já eleita para o Senado Federal, em sua primeira candidatura a um cargo eletivo.

O resultado de Marina chama atenção porque o levantamento do g1 mostrou o oposto na maioria dos casos. O nome de parente ou aliado famoso na urna não bastou sozinho.

Ele funcionou quando veio somado a uma trajetória política prévia construída fora da sombra do sobrenome emprestado, caso dos outros 7 eleitos.

Experiência não garantiu eleição a todos

Entre os 31 candidatos que não conseguiram se eleger, também há políticos com experiência anterior em cargos eletivos ou na administração pública. Valmir de Francisquinho, pai de Ícaro, é um deles.

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Ele disputou o governo de Sergipe e perdeu para o atual governador eleito, Fábio Mitidieri (PSD).

O fenômeno de usar nome de urna com referência a terceiros ocorre em paralelo a outra mudança na composição do eleitorado de 2026: a participação de mulheres nas candidaturas subiu neste ciclo, movimento do qual a eleição de Marina JHC também faz parte.

O levantamento reforça que capital político não se transfere automaticamente pelo nome na urna. Ele funciona como complemento a uma base eleitoral já construída, não como substituto dela.