O que dá o tom da atual disputa eleitoral não é o bolsonarismo, e sim o antipetismo, avalia o analista Abel Lumer. Ele defende que simulações de segundo turno mostram intenção de voto semelhante entre Flávio Bolsonaro e outros nomes de direita diante de Lula, sinal de que a rejeição ao PT pesaria mais do que o bolsonarismo.
Pouca diferença entre nomes de direita contra Lula
Segundo Lumer, pesquisas que simulam o segundo turno não mostram vantagem relevante de Flávio Bolsonaro sobre outros nomes de direita quando o adversário é Lula. Ele citou como exemplo a comparação com Caiado e com um concorrente que chamou de Renan.
Em ambos os casos, segundo ele, a diferença de intenção de voto contra Lula seria pequena. Essa semelhança nos números é a base do argumento do analista.
Para ele, isso mostra que o antipetismo está mais arraigado no eleitorado do que a força pessoal de Flávio Bolsonaro como candidato. O sobrenome ajudaria, mas não explicaria sozinho o desempenho eleitoral da família, segundo o analista.
Uma demanda represada desde a redemocratização, segundo o analista
Lumer disse ter escrito sobre o tema ainda em 2015 e 2016. Para ele, existe desde então uma demanda reprimida do eleitorado conservador brasileiro. "Existe uma demanda reprimida do eleitorado conservador no Brasil, que nunca se deu representado", declarou.
Ele atribui isso à forma como o campo conservador era tratado no debate público. "A palavra conservadora, a palavra de direita, era quase que demonizada no debate político brasileiro", afirmou.
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"Desde a redemocratização, a gente não tinha nenhum player de nível nacional que representasse esse campo", completou.
Foi nesse espaço, segundo o analista, que Jair Bolsonaro se consolidou como principal liderança do campo conservador. Isso não significa necessariamente, na avaliação de Lumer, ser "o melhor personagem" para a função, ressalva que ele próprio fez na entrevista.
Lumer citou o livro "O Brasil no Espírito", do cientista político Felipe Nunes, como referência que também descreve um eleitorado brasileiro majoritariamente conservador e, segundo ele, historicamente sem representação de peso nacional.
"Quando ele representa esse campo, o eleitor começa a se sentir representado, começa a se sentir valorizado, começa a ter voz", disse Lumer, ao resumir o que, na visão dele, consolidou o nome Bolsonaro como um ativo político relevante na disputa eleitoral.
A entrevista não especifica a qual pleito as simulações de segundo turno citadas se referem.





























