A Justiça condenou nesta terça-feira (6) o torcedor corintiano Carlos Roberto de Britto Júnior, o Neguinho, a 16 anos e 4 meses de prisão pela morte do palmeirense Guilherme Vinicius Jovanelli Moreira, na Batalha da Inajar, em 2012. Outros oito réus foram absolvidos.
O julgamento, no Fórum Criminal da Barra Funda, envolveu dez torcedores do Corinthians. Um segundo réu, Mário Batista, foi condenado por rixa, mas não vai cumprir pena porque o crime prescreveu.
Os outros oito corintianos foram absolvidos a pedido do próprio Ministério Público. Britto Júnior é o único que ficará preso; ele e os demais negaram envolvimento no crime ao longo do processo, e cabe recurso da condenação a 16 anos e 4 meses.
A briga ocorreu em 25 de março de 2012, na Avenida Inajar de Souza, antes de um jogo entre Corinthians e Palmeiras pelo Paulista. Cerca de 300 torcedores participaram do confronto. A briga foi filmada por câmeras de segurança.
André Alves Lezo, 21 anos, e Guilherme Jovanelli, 19, o Zulu, ambos da torcida Mancha Alviverde, morreram com golpes de barras de ferro na cabeça. Ninguém foi condenado pela morte de Lezo.
Segundo a delegada Margarete Barreto, que investigou o caso, a Inajar foi retaliação por outro homicídio. Em agosto de 2011, um corintiano de 27 anos foi encontrado morto no rio Tietê, e a torcida atribuiu a morte aos palmeirenses.
"Não existia mocinho e bandidos", disse a delegada, ao afirmar que Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde sabiam que a briga podia acontecer a qualquer momento.
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O julgamento começou na segunda-feira (5), com 50 testemunhas arroladas, das quais 40 foram dispensadas. Sete jurados decidiram o caso, em sentença lida pela juíza Flávia Castellar Olivério.
Ao todo, 52 pessoas respondem pelo caso.
A violência entre torcidas organizadas segue registrando mortes. Em maio, um torcedor do Palmeiras foi preso por uma emboscada que matou um cruzeirense.
Em setembro, a PRF apreendeu 52 barras de ferro destinadas a uma briga de torcidas em Belo Horizonte, a mesma arma usada contra Lezo e Jovanelli em 2012.
Também em setembro, uma operação prendeu nove integrantes da cúpula da torcida Bamor, do Bahia, suspeitos de tortura.
O que acontece agora
Passada a fase dos corintianos, a Justiça ainda vai julgar os 9 réus palmeirenses do mesmo processo, acusados de associação criminosa. Eles respondem em liberdade, e o julgamento não tem data marcada.
O que esse caso repete
O caso levanta uma pergunta estrutural. Por que episódios como a Inajar continuam se repetindo, com a mesma arma e o mesmo roteiro de vingança entre torcidas rivais, catorze anos depois?
A resposta não está só no Judiciário: o processo levou mais de uma década para condenar um único réu, e casos recentes em Minas, Bahia e São Paulo mostram que a violência organizada entre torcidas não parou.





























