O Conselho de Segurança da ONU fez nesta sexta-feira (18) a terceira votação secreta para escolher quem substitui António Guterres, que completa dez anos na ONU e deixa o cargo em 31 de dezembro. Guiana, Costa Rica e Argentina lideram a disputa.

Guterres, 77, ex-primeiro-ministro de Portugal, é o primeiro lusófono a chefiar a ONU e o quinto europeu a ocupar o posto, em dois mandatos de cinco anos cada.

No cargo, ele lidou com a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, a guerra em Gaza, a guerra no Irã e os dois governos de Donald Trump nos Estados Unidos.

A partir de terça-feira (22), ele preside sua última Assembleia-Geral, que reúne chefes de Estado em Nova York.

Não há data definida para a eleição do sucessor. A escolha depende do consenso dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.

Quem lidera a corrida pela sucessão

Lidera a disputa, até a última rodada, a guianense Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-chanceler do país, seguida pela costarriquenha Rebeca Grynspan e pelo argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Oito nomes concorrem, sendo cinco mulheres, entre elas María Fernanda Espinosa, do Equador.

Uma mulher no comando da ONU pela primeira vez é o desejo declarado de vários membros do Conselho de Segurança, que já elegeu nove homens seguidos para o posto desde a fundação da organização.

Diretor de assuntos e instituições globais da consultoria Crisis Group, Richard Gowan acompanha a ONU há mais de duas décadas e resume o saldo do mandato.

Talvez o maior legado de Guterres seja o fato de a ONU continuar em funcionamento.

A ONU enfrenta uma crise orçamentária grave nos últimos anos, que reduziu a assistência humanitária em vários países. A ajuda caiu 35% no Sudão do Sul no último ano, 30% na Ucrânia e 18% no Haiti, sempre ante o ano anterior.

"Por motivos alheios à sua vontade, a ONU teve de reduzir a assistência humanitária e cortar operações de manutenção de paz", afirma o analista.

A pressão por uma mulher no comando ficou mais visível nesta semana. A ex-presidente chilena Michelle Bachelet desistiu da disputa após perder a votação por 11 a 1 no Conselho de Segurança, um dos oito nomes lançados para o posto.

O que acontece agora

A Assembleia-Geral da ONU abre a fase de discursos de chefes de Estado na terça-feira (22), quando Lula discursa antes de Donald Trump. É tradição que o Brasil abra os debates da Assembleia desde 1949.

O sucessor de Guterres precisa de ao menos 9 votos entre os 15 membros do Conselho de Segurança, sem veto das cinco potências permanentes, antes de seguir para a confirmação da Assembleia-Geral. Guterres deixa o cargo em 31 de dezembro.