Um grupo de usuários pagantes de assinaturas de inteligência artificial processou a Anthropic, a OpenAI, a SpaceXAI e o Google nos Estados Unidos. A ação, protocolada na sexta-feira (18), alega que as empresas combinaram desacelerar o desenvolvimento da tecnologia, violando leis antitruste.

Segundo o processo, apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, a coordenação teria ocorrido em 12 de setembro, quando o executivo-chefe da Anthropic, Dario Amodei, publicou artigo defendendo que a indústria reduzisse o ritmo de avanço da IA.

No mesmo dia, Sam Altman (OpenAI), Elon Musk (SpaceXAI) e Demis Hassabis (Google DeepMind) concordaram com a proposta de Amodei. Os autores dizem que o acordo entre concorrentes prejudica quem paga pela assinatura desses serviços, casos do ChatGPT, do Claude, do Grok e do Gemini.

A IA sairá rapidamente do controle humano e poderá matar todos nós se permitirmos que a segurança da IA e seus protocolos sejam controlados por acordos privados que atendem aos próprios interesses das mais poderosas empresas de tecnologia com fins lucrativos do mundo.

A frase é de Nick Rowley, advogado que representa os autores. Procurada pela agência Associated Press neste sábado (19), nenhuma das quatro empresas comentou a ação.

O próprio Amodei já reconhecia, no texto em que propôs a desaceleração, o risco de esbarrar em leis antitruste. Ele sugeriu que o governo dos EUA mediasse as conversas entre laboratórios e concedesse uma isenção limitada para discussões sobre segurança.

Altman respondeu nas redes sociais que a OpenAI apoia uma estrutura federal de segurança, mas não vê necessidade de esperar por essa isenção antitruste para agir.

A disputa ocorre na mesma semana em que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a criação de uma "Força de IA" e prometeu nomear um "czar" para a área, rejeitando pedidos por freios regulatórios ao setor.

O debate sobre desacelerar ou não a IA cresce em meio a números que preocupam o mercado: a própria OpenAI deve gastar US$ 280 bilhões a mais do que vai faturar até 2030, segundo projeções recentes.

Documentos internos do setor já revelaram temor de que a IA provoque o "maior roubo de trabalho da história", pano de fundo que ajuda a explicar por que a proposta de Amodei ganhou tração entre concorrentes.